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Qual a sua graça?
Pais que escolhem nomes exóticos para os filhos geram confusão e risos
Por Luana Martins • 24/11/2008

Altezevelte, Alucinética Honorata, Waterloo, Necephora Izidoria, Hugney e Wonarllevyston. Você sabe o que são essas palavras? Nomes! Escolher como a criança irá se chamar é uma das etapas mais esperadas da gravidez. E haja criatividade dos pais! São inúmeras opções e motivos que podem levar à decisão final: homenagem a alguém da família ou a um ídolo, significado do nome, tradição etc. E há papais e mamães que fazem questão de que seu filho leve um nome especial e diferente, capaz de ser sempre lembrado - o que pode deixar muita gente por aí insatisfeita ou causar confusões.

O que mais você tem de seu nessa vida é o nome. Por isso, sua escolha é um processo muito importante. Como sua identidade, ele vai determinar uma série de coisas


O fato é que a responsabilidade de escolher o nome de outra pessoa é enorme. Então, o que levar em consideração na hora de decidir como o bebê será chamado para o resto da vida? "O que mais você tem de seu nessa vida é o nome. Por isso, sua escolha é um processo muito importante. Como sua identidade, ele vai determinar uma série de coisas: da personalidade a preferências ao longo da vida e poderá ter uma conotação tanto negativa quanto positiva para essa criança", afirma o psicólogo Alexandre Bez.

Err... Quem?


Os homens da família Silva sabem bem que a escolha do nome pode render muita confusão. Que o diga Auto Barbosa Silva, de 24 anos. Há quatro gerações na família, o nome Auto já rendeu muito falatório. "Sempre ouço piadinhas dos amigos, do tipo 'esse cara tem auto-estima' ou 'ele é dono de uma auto-mecânica'", conta ele, que garante que hoje em dia lida bem com as gracinhas alheias. Mas você deve estar se perguntando: afinal, porque o nome Auto? "O meu tetra avô achava que seu filho seria alguém 'alto', mas, por ser descendente de escravos, não tinha uma escrita muito boa e acabou errando uma letra e colocando o nome no meu bisavô de Auto. Como ele foi um homem muito respeitado, colocaram esse nome também no meu pai. E em respeito ao seu avô, meu pai me deu o seu nome", relembra Auto.

Já com a estudante Brisa Abdula Casali, foi uma canção que serviu de inspiração para o papai na escolha do seu nome. "Meu pai é da Marinha e sempre amou ficar na frente do navio sentindo aquela leve brisa, mas ele garante que não foi por esse motivo que escolheu meu nome, e sim por causa de uma música do Milton Nascimento - Travessia - que diz: 'Sonho feito de brisa'", acrescenta.

Ser "incomum" também faz parte da vida do estudante de educação física Raulyson de Lima Salerno, de 21 anos. E não é só no nome! A irreverência esteve presente até mesmo no processo de escolha do seu nome. Não foram os pais, mas seu irmão, Bruno, de apenas cinco anos, quem determinou o nome de Raulyson. "Minha mãe sempre gostou desse nome, que era do filho de um professor dos meus pais quando eles ainda eram jovens. Por isso, quando ela teve meu irmão decidiu que ele se chamaria Raulyson. Mas acabou desistindo da idéia por medo de ninguém saber pronunciar o nome corretamente. E colocou o nome dele de Bruno", relembra. Quando ela ia dar à luz ao segundo filho, acabou cedendo ao sonho antigo de colocar o nome de Raulyson na criança. E para tirar todas suas dúvidas, fez o teste final: pediu para Bruno, de apenas cinco anos, pronunciar a palavra. Ela, então, pensou: se um menino de cinco anos consegue falar, qualquer pessoa o fará. Doce engano! "Até hoje é muito raro alguém acertar o meu nome", conta Raulyson.

Já a estudante Leiliane Pereira Guerra, de 16 anos, ganhou o nome em homenagem a duas pessoas que sua mãe admira: a jornalista Leilane Neubarth e a pediatra Eliane. "Minha mãe sempre adorou nossa pediatra, porque ela fez tudo para salvar meu irmão. Até hoje, tem todo dia dos médicos, manda presentes para ela, que era branquinha, magrinha e de olhos claros assim como a Leilane (repórter), com seus cabelos ruivos e olhos vibrantes. Então, minha mãe fez a junção dos dois nomes e me registrou como Leiliane", relembra. Mas ela confessa que, para evitar confusões, já que ninguém acerta seu nome, os amigos e até os familiares a chamam por apelidos. "Eles sempre me chamam de Lane, acho que é mais fácil", diz.





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