É hora de ser mãe! > Pressão familiar
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Por Ana Luiza Silveira • 22/07/2008

Se para algumas mulheres a gestação acontece sem traumas, para outras ela pode demorar um pouco mais. Após sofrer um aborto espontâneo na primeira gestação, a advogada Luciana Almeida, 31 anos, precisou de um tempo para se recuperar, mas teve de enfrentar a pressão da família. "É um ciclo vicioso. Se namora, tem de casar. Se casar, tem de ter filho. Se tiver um filho, querem saber quando vem o segundo. Você tem de ser firme e se posicionar. Admiro as mulheres que assumem que não têm a menor vocação ou vontade de ser mães. O ideal é não chamar a responsabilidade para si, anunciando que pretende engravidar", diz ela, que afirma ter sido difícil lidar com as perguntas e a expectativa da família após perder o filho. "Foi duro, pois eles esperavam que, com a perda do primeiro bebê, logo viesse outro. Isto, sem querer, acaba gerando uma ansiedade no casal", confessa.

Você tem a impressão que as pessoas no trabalho, com exceção daquelas que já foram mães, estão achando que você está em casa de férias brincando de boneca

Ao chegar aos 30 anos, Luciana sentiu que era a hora de tentar novamente. "Foi mais uma vontade interior, um sentimento, do que a razão. Acho que foi o relógio biológico. Mas acredito que, se eu pensasse muito, perderia a coragem de ser mãe", diz. Ainda assim, ela ponderou os prós e os contras de uma gravidez naquele momento. "Entendi que aquela era a hora porque não queria passar muito da idade de ser mãe, pelo fato de as chances diminuírem em razão da fertilidade. Porém, não tive medo de que a gravidez prejudicasse a carreira, porque a planejei antes de alcançar o objetivo profissional que estou buscando", conta.

E os sonhos, como ficam?

No período de licença-maternidade, enquanto cuidava de Letícia, que hoje tem 11 meses, Luciana demorou a se acostumar com a nova rotina. "Você tem a impressão que as pessoas no trabalho, com exceção daquelas que já foram mães, estão achando que você está em casa de férias brincando de boneca. Você se questiona: onde é que está aquela mulher que era dona de si, que sabia como ninguém lidar com a rotina de trabalho e que agora não sabe como cuidar de um simples bebê? Os primeiros meses são muito difíceis, pois você não tem tempo para si mesma, nem para mais nada, só para o bebê. Ser mãe só se aprende na prática, não importa quantos diplomas você tem", diz.

Apesar das dificuldades, comuns à maioria das mães de primeira viagem, hoje Luciana diz não trocar por nada a felicidade de ser mãe, e ainda dá um conselho a quem ainda está na dúvida se a hora certa chegou. "Não queiram adiar a maternidade porque ainda não viajaram o mundo todo ou porque ainda não recebem o salário dos sonhos. Nem sempre esses sonhos se tornam realidade e não há dinheiro no mundo que pague a dádiva de ser mãe - mesmo que não seja de um filho biológico", sublinha. Daniela é da mesma opinião. "Nada, absolutamente nada se compara ao privilégio de ser mãe", declara.



Ana Luiza Silveira   Leia mais deste autor.



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