Se para algumas mulheres a gestação acontece sem traumas, para outras ela pode demorar um pouco mais. Após sofrer um aborto espontâneo na primeira gestação, a advogada Luciana Almeida, 31 anos, precisou de um tempo para se recuperar, mas teve de enfrentar a pressão da família. "É um ciclo vicioso. Se namora, tem de casar. Se casar, tem de ter filho. Se tiver um filho, querem saber quando vem o segundo. Você tem de ser firme e se posicionar. Admiro as mulheres que assumem que não têm a menor vocação ou vontade de ser mães. O ideal é não chamar a responsabilidade para si, anunciando que pretende engravidar", diz ela, que afirma ter sido difícil lidar com as perguntas e a expectativa da família após perder o filho. "Foi duro, pois eles esperavam que, com a perda do primeiro bebê, logo viesse outro. Isto, sem querer, acaba gerando uma ansiedade no casal", confessa.
Ao chegar aos 30 anos, Luciana sentiu que era a hora de tentar novamente. "Foi mais uma vontade interior, um sentimento, do que a razão. Acho que foi o relógio biológico. Mas acredito que, se eu pensasse muito, perderia a coragem de ser mãe", diz. Ainda assim, ela ponderou os prós e os contras de uma gravidez naquele momento. "Entendi que aquela era a hora porque não queria passar muito da idade de ser mãe, pelo fato de as chances diminuírem em razão da fertilidade. Porém, não tive medo de que a gravidez prejudicasse a carreira, porque a planejei antes de alcançar o objetivo profissional que estou buscando", conta.
E os sonhos, como ficam?
No período de licença-maternidade, enquanto cuidava de Letícia, que hoje tem 11 meses, Luciana demorou a se acostumar com a nova rotina. "Você tem a impressão que as pessoas no trabalho, com exceção daquelas que já foram mães, estão achando que você está em casa de férias brincando de boneca. Você se questiona: onde é que está aquela mulher que era dona de si, que sabia como ninguém lidar com a rotina de trabalho e que agora não sabe como cuidar de um simples bebê? Os primeiros meses são muito difíceis, pois você não tem tempo para si mesma, nem para mais nada, só para o bebê. Ser mãe só se aprende na prática, não importa quantos diplomas você tem", diz.
Apesar das dificuldades, comuns à maioria das mães de primeira viagem, hoje Luciana diz não trocar por nada a felicidade de ser mãe, e ainda dá um conselho a quem ainda está na dúvida se a hora certa chegou. "Não queiram adiar a maternidade porque ainda não viajaram o mundo todo ou porque ainda não recebem o salário dos sonhos. Nem sempre esses sonhos se tornam realidade e não há dinheiro no mundo que pague a dádiva de ser mãe - mesmo que não seja de um filho biológico", sublinha. Daniela é da mesma opinião. "Nada, absolutamente nada se compara ao privilégio de ser mãe", declara.
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