Naturalmente, a gestação é uma fase que requer muitos cuidados com a saúde - tanto a do bebê que está sendo gerado, quanto da futura mamãe. Se a mulher apresenta diabetes, então, os cuidados se multiplicam. Deve-se redobrar a atenção em duas situações diferentes: quando, já diabética, a mulher engravida, e quando se manifesta o diabetes gestacional, que surge somente durante a gravidez. Mas, afinal, quais os riscos para as mães e para os bebês?
O diabetes gestacional é a alteração das taxas de açúcar no sangue detectada pela primeira vez na gravidez. Devido a alterações hormonais, a mãe pode produzir uma quantidade insuficiente de insulina para ela e para o bebê, o que provoca o acúmulo de glicose no plasma sangüíneo. Depois do parto, as taxas tendem a se normalizar e a mulher se recupera da hiperglicemia, podendo ou não voltar a ter a doença anos depois. Assim como os outros tipos de diabetes, o gestacional não tem uma causa específica. Entretanto, há alguns fatores de risco que podem aumentar as chances de desenvolver a doença. Alguns deles são: obesidade, ganho excessivo de peso na gestação, idade superior a 30 anos, antecedente familiar (em parentes de primeiro grau), gravidez anterior com macrossomia do bebê (pesando mais que 4 kg ao nascer) e aborto. Se diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada, o diabetes gestacional não oferece riscos à mãe e ao bebê.
A presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Marília Gomes, afirma que, por volta da 24ª semana de gravidez, já é possível descobrir se a gestante está com diabetes. "Se a resposta for positiva, ela deve procurar um médico e começar imediatamente o controle glicêmico", afirma a médica. O diabetes gestacional costuma surgir nesta fase, mas, em alguns casos, pode ser diagnosticado antes. "É importante que a mulher inclua, dentro da sua rotina de exames, o teste de glicemia de jejum, que serve para medir o nível de glicose no sangue", observa Marília, que alerta para um dos principais sintomas percebidos durante a gestação que podem ser indícios de diabetes - o ganho de peso excessivo, além do normal.
Vera Fonseca, presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, reforça a importância dos exames no período: "A glicemia de jejum deve ser solicitada logo, refeita perto da 20ª semana de gestação e, entre a 24ª e 26ª, adicionada a um teste de tolerância à glicose. É essencial, ainda, o acompanhamento de um endocrinologista durante todo o período", aconselha a ginecologista. Aliás, o apoio de uma equipe de médicos, incluindo profissionais de oftalmologia e nutrição, e às vezes até psicólogo, torna a gestação tranqüila e sem surpresas.
Cristina Borges, 34 anos, teve diabetes gestacional na sua segunda gravidez. Ela conta que ficou preocupada no início, mas depois manteve a calma. "Só descobri que estava com diabetes no quarto mês e me assustei, principalmente porque meus pais nunca tiveram a doença. Já havia sofrido um aborto e fiquei com medo de que isso se repetisse. Meu obstetra, porém, disse que eu não precisava me alarmar e fez todas as recomendações. Tive o acompanhamento de uma equipe multiprofissional e tudo deu certo", relata Cristina, lembrando que seguiu à risca as indicações médicas e foi bastante disciplinada na dieta, mesmo quando surgia uma fome incontrolável. "Quando eu tinha aqueles 'desejos' comuns de grávidas era terrível. Mas sempre dava um jeito, controlando bem a glicemia e comendo, de vez em quando, alimentos dietéticos ou sem açúcar", lembra.
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