Como a gestação múltipla é considerada de risco, os cuidados são diferenciados nas primeiras 12 semanas, com a aplicação de hormônios para manter a gravidez e a realização de uma porção de exames. "Afastada a ansiedade, que pode ser exagerada em decorrência do tratamento de fertilização, a gravidez será idêntica à gestação natural. Será preciso ter cuidados com a alimentação, fazer o controle de peso e tratar infecções, entre outros. Além disso, a grávida deve ser bem assistida no pré-natal e estar bem orientada quanto à evolução da gestação, as intecorrências e seus perigos", afirma o médico Arnaldo Schizzi Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução (IPGO). Ele ressalta que as gestantes com problemas imunológicos devem receber atenção redobrada, pois precisam receber medicação específica até o sétimo mês de gravidez. E recomenda, ainda, que a mãe visite o obstetra duas vezes por mês até a 24ª semana e, semanalmente, a partir da 25ª semana até o nascimento.
Segundo a ginecologista e obstetra Maria Cecília Erthal, diretora do Centro de Fertilidade da Rede Labs D´Or, na gestação gemelar o volume do útero e do sangue praticamente dobra e, em termos de nutrição, as necessidades serão muito maiores - daí a importância de buscar uma orientação nutricional adequada. E os exames ultra-sonográficos, assim como as visitas ao obstetra, precisam ser mais freqüentes. "Sempre se costuma pedir um ultrassom por volta da sétima ou oitava semana para confirmar o diagnóstico de gêmeos. Depois, na 12ª semana, é feito o de translucência nucal, que revela também quantas placentas existem. A seguir, os exames de ultra-som são repetidos, mais ou menos uma vez por mês, para quem tem duas placentas. Quando a placenta é só uma, o intervalo de tempo pode ser menor. Os exames de sangue e análise de urina são realizados a cada três meses", diz a médica. Vale saber que gêmeos idênticos com uma única placenta são mais vulneráveis do que aqueles que possuem placentas independentes e do que os não-idênticos.
O parto ideal
A maioria dos partos de gestações múltiplas é feita por cesariana. No caso de dois gêmeos, por exemplo, o parto normal é possível, dependendo da posição em que estejam os bebês. O ideal é que eles estejam de cabeça para baixo, o que acontece em 40% dos casos. Nos outros 40%, o número 1 está de cabeça para baixo e o número 2, numa posição diferente. "Isso dificulta a realização do parto normal, mas ele pode ser feito mesmo assim, pois existem algumas manobras que facilitam o nascimento do segundo bebê", afirma a Dra. Maria Cecília. Quando nenhum dos dois está de cabeça para baixo, a cesárea é o procedimento mais indicado. Em se tratando de trigêmeos ou quadrigêmeos, o indicado é sempre a cesárea. A maior freqüência do parto cesárea também tem outra explicação, segundo o Dr. Arnaldo. "A princípio, os dois tipos de parto são indicados. Entretando, as grávidas que passam por procedimentos de fertilização assistida são mais ansiosas, então a tolerância para a espera de um parto normal é, nesses casos, muito menor", assinala.
Por ser mais delicado, o parto de gêmeos pode apresentar complicações. A principal é o afrouxamento do útero no pós-parto, devido à super distensão desse órgão em conseqüência da presença de mais de um feto. No parto normal, pode haver problemas quando os fetos estão em posições opostas - um com a cabeça para cima e outro com a cabeça para baixo. Pode haver um encaixe entre os dois, impedindo a progressão do canal do parto.
De olho na balança
Se uma mulher grávida de apenas uma criança já tem uma fome de leão, não é preciso nem dizer o quanto o controle do peso é importante para a gestante de gêmeos - independentemente de quantos bebês ela esteja esperando. "Se numa gestação simples é recomendado ganhar apenas nove quilos, na gestação múltipla esse ganho sobre para 12 a 18 quilos, o que corresponde a um aumento semanal de cerca de 600 a 700 gramas", diz o Dr. Arnaldo. Já a Dra. Maria Cecília acredita que o ganho de 1.500 gramas mensais já está de bom tamanho.
A alimentação deve ser saudável e rica em proteínas, com muitas frutas, legumes, verduras, carnes magras, cereais, leite e derivados. Gorduras e frituras devem passar longe do cardápio. As refeições devem ser feitas em cinco ou seis vezes ao dia, pois isso facilita a digestão e diminui a incidência de azia, que é um dos sintomas que mais incomodam as gestantes. Como a gestação múltipla resulta em várias bocas para alimentar, a regra geral é aumentar a ingestão de alimentos em torno de 20% a 30%. Para acertar na dose, o recomendável é buscar a ajuda de um nutricionista.
Atividades físicas, só as leves
Os cuidados não acabam por aí. A prática de atividades físicas também é importante para a manutenção da saúde da futura mamãe, mas com ressalvas. "Se a paciente não está habituada a fazer exercícios, este também não é o momento de iniciá-los. Mas, se tiver o hábito, ela deve fazer exercícios leves", sublinha o Dr. Arnaldo. Caminhada, yoga, alongamento ou natação podem ser feitos sem problemas, de preferência em sessões de 30 minutos, de três a quatro vezes por semana. Corrida, nem pensar! Musculação também está proibida, pois durante os exercícios o sangue do organismo é direcionado para os músculos, diminuindo a circulação sangüínea para os órgãos reprodutores. A Dra. Maria Cecília também recomenda a prática de exercícios de baixo impacto. "Hidroginástica e exercícios posturais, de alongamento, respiratórios ou de relaxamento são ótimos para essa fase", orienta.
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