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Casal em gestação
Preservar a saúde da vida a dois durante a gravidez é um desafio
Por Fernando Puga • 15/11/2007

Um homem e uma mulher já são elementos mais do que suficientes para gerar as curvas que desenham os altos e baixos de um relacionamento. Se surge um terceiro, o tobogã se torna ainda mais íngreme. O melhor exemplo disso é a gravidez, responsável por transformações definitivas na vida a dois, às custas de muito sobe-e-desce e frio na barriga. Com a chegada de um bebê, marido e mulher se tornam também pais, em meio a medos que cozinham a paciência dos dois em borbulhantes hormônios. Mas sobreviver a isso não é, de forma alguma, impossível.

Para preservar a intimidade e a integridade do relacionamento durante a gravidez e os primeiros anos de vida do novo membro da família, basta um pouquinho de força de vontade conjunta e, claro, amor.

Primeiro trimestre


"Grávidos" de três meses, a médica Ana Freitas e o professor Alexandre Ávila, já começaram a sentir essas mudanças no casamento de um ano e meio. Ele comenta que, depois de confirmada a gestação pelos exames, tem percebido a mulher um pouco mais introspectiva do que o habitual. "A Ana é muito falante, saideira, muito sociável. Não sei se é por medo de prejudicar a gravidez, ela agora está toda light, acorda cedo, não come porcarias, tem estado mais quieta. Mesmo entre nós, em casa, às vezes ela sai do quarto e fica na sala sozinha, um tempo, pensando. Somos marinheiros de primeira viagem com muita expectativa, a gravidez foi muito querida e planejada. Mas isso não nos deixa menos apreensivos", diz Alexandre.

Ana confirma as impressões do marido. "Sinto que ele fica um pouco aflito, mas vejo que é pura preocupação comigo. Toda hora pergunta se está tudo bem, se eu estou sentindo algo ruim. E tenho mesmo me isolado mais. Mas acho que isso é fase, estou pensando nas transformações que vêm pela frente na nossa vida", afirma ela.

A terapeuta Silvia Jorei, que já desenvolveu diversos trabalhos com casais em gestação, explica que esse tipo de comportamento é típico do primeiro trimestre da gravidez. "A mulher se afasta porque quer criar afinidade com o bebê, quer começar a desempenhar o seu papel de mãe. Isso é perfeitamente normal. É importante não comprometer a vida íntima nesse momento, respeitando essa tendência. É legal canalizar as energias para as descobertas conjuntas, aproveitar a fase de novidades", comenta.

Segundo trimestre

Mas as mudanças mais significativas no relacionamento a dois só começam a surgir a partir do segundo trimestre, com a presença mais óbvia do bebê graças ao crescimento da barriga e à intensificação de seus movimentos. "Pensei que fosse ser um horror, mas essa fase foi maravilhosa", conta a secretária executiva Sandra Leal, mãe de Maria Clara, hoje com cinco anos. "Eu ficava com medo de que as transformações no meu corpo fizessem eu me achar um monstro, baixar a minha libido e afugentar o meu marido. Não sei o que aconteceu mas, apesar de eu estar mesmo engordando terrivelmente e ficando com o rosto mais largo, foi uma fase sexual muito intensa e com muito prazer. Nunca tive tantos orgasmos em tão pouco tempo quanto naquela época. E a gente não se desgrudava, parecia que estávamos no começo do namoro. Ficamos bobos, ríamos de tudo", lembra ela.

Silvia Jorei comenta que essa pode ser mesmo a melhor fase da vida íntima do casal durante a gravidez, mas, pelos mesmos motivos hormonais, o contrário também pode acontecer. "A partir do terceiro mês, os enjôos diminuem, o nível de estrogênio da gestante e a corrente sanguínea na região pélvica aumentam. Isso a deixa com mais sensibilidade sexual. O casal costuma aproveitar esses momentos com mais tranqüilidade, uma vez que não há mais o medo de engravidar indesejavelmente. Até as transformações no corpo da mulher podem surpreender o gosto dos homens que se atraem, por exemplo, pelos seios mais fartos. Mas a mulher também pode se sentir totalmente preenchida pelo bebê e rejeitar a aproximação do marido", garante ela.

Nesses casos, a receita para o problema é mais uma boa dose de paciência. "Os dois podem ficar meio chatinhos nessa época. Ela, pelas oscilações de humor e ele, pela irritação. Compreensão mútua é fundamental nessa fase", diz Silvia. Ela explica que, na reta final, as preocupações com o parto costumam tomar todas as energias do casal. "As atenções, antes dirigidas ao sexo, agora estão dispersas na contagem regressiva, como nas preparações da casa e do parto", comenta Silvia.

Foi exatamente assim com a maquiadora Fabiana e seu marido, o jornalista Paulo Bittencourt. "Eu fiquei elétrica com os últimos preparativos, não pensava em outra coisa, ficamos insuportáveis um com o outro de tão ansiosos. E sexo, nem que a gente tivesse vontade. Minha barriga ficou tão grande que não havia posição", conta ela. "Além disso, eu tinha um pouco de medo de machucar o bebê, de causar alguma alteração na gravidez. A presença dele, entre nós dois, era muito evidente e isso até contribuía para a baixa libido dessa época. Eu sempre o via entre a gente e acabava desistindo, perdia o clima", confessa Paulo.





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