O lado chato da gravidez

Os nove meses de gravidez são repletos de expectativa e felicidade. Afinal, vem chegando uma criaturinha fofa e cheia de energia, que vai receber muito amor e completar a família. Mas também é um período em que o corpo sofre inúmeras mudanças para se adaptar à gestação, resultando em um tremendo mal-estar.

Enjôos, vômitos, tonturas, inchaços, dores, falta de ar... são tantos os incômodos que é preciso ter muita paciência e disposição para enfrentá-los. A maioria das mulheres passa por esses problemas - umas, de forma mais intensa, outras de forma moderada. Não é fácil, mas é possível conviver com eles e ter uma gravidez tranqüila.

O primeiro trimestre

Antes de saber que iria ser mãe da pequena Sofia, a administradora Isis Natel sentia apenas sono e enjôo. Mas depois de receber a notícia da gravidez, ela teve uma surpresa: "Parece que todos os sintomas resolveram aparecer, achei até que era psicológico", conta. Além do aumento dos enjôos e do sono, que atrapalhava sua rotina, os seios começaram a doer e a crescer e surgiram as ânsias de vômito. "Toda vez que sentia um odor forte, ficava com ânsia. O mais estranho é que isso acontecia até quando eu sentia o cheiro do creme dental, o que me fez passar a escovar os dentes mais rapidamente. Os enjôos, então, apareciam todas as vezes em que eu comia", conta.

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A estilista Rafaela Monteiro, mãe de Davi, de 2 anos, sofreu no primeiro trimestre da gestação. "Sentia muito enjôo na parte da manhã, pressão baixa e tontura. Não conseguia comer nada. Isso durou três meses e meu trabalho era muito prejudicado. Na época, eu atuava como assistente de figurino em uma novela que era gravada na praia. Por causa do calor, que me fazia mal, eu ficava sempre de fora. Sem falar no excesso de sono no período da tarde", relembra.

Uma grande transformação

Por que as mulheres têm de passar por tanto sufoco durante a gravidez? Segundo o ginecologista Ricardo Vasconcellos Bruno, chefe do ambulatório de anticoncepção do instituto de ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as alterações no organismo materno durante o período gestacional são provocadas por causas diversas. A fundamental é a criação da placenta, fator preponderante para a geração de hormônios, alguns exclusivos da gravidez, como o BetaHCG, responsável pelo surgimento de alguns sintomas. "São vários hormônios. A gonadotrofina coriônica, por exemplo, é causadora da estimulação do centro do vômito, levando a náuseas e vômitos, a progesterona, por sua vez, tem ação depressiva no sistema nervoso central, ocasionando sonolência", enumera.

Outras alterações físicas, como a vasodilatação e o aumento do débito cardíaco, favorecem o aparecimento da pressão baixa. Até mesmo o aumento do útero é responsável por alguns episódios de mal-estar. Ele cresce e se sobrepõe à veia cava inferior, causando retenção de sangue e o aparecimento de varizes e edemas (inchaços). Sem contar que comprime a bexiga, causando muita vontade de ir ao banheiro várias vezes por dia, e afeta o funcionamento do intestino, deixando-o mais preguiçoso. E isto, segundo o ginecologista, é só uma amostra das alterações que a mulher sofre durante a gravidez. O importante é lembrar que todas elas têm sua importância e significado.

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