Grávidas podem aproveitar a praia, mas com alguns cuidados

Marianna Feiteiro

Do Bolsa de Bebê

Se a gravidez não é de risco, é possível curtir a praia ou a piscina tranquilamente durante qualquer período da gestação. No entanto, algumas precauções são essenciais para garantir o bem estar da mamãe e do bebê.

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No geral, os primeiros e os últimos meses são os que inspiram mais cuidados. Isso porque, no início da gravidez, é comum sentir náuseas e tonturas e, portanto, há maior risco de desmaio dentro da água e afogamento. Já no final, a futura mamãe já está com o barrigão enorme e, por isso, acaba tendo mais dificuldade em andar e se equilibrar, sofrendo também maior chance de cair.

A ginecologista e obstetra Dra. Erica Mantelli explica que, por conta destes e de outros riscos, a gestante deve estar sempre acompanhada ao entrar no mar ou na piscina, independente da fase gestacional. “O ideal é optar por praias mais calmas, que não estejam muito lotadas, e ir ao mar acompanhada de alguém, pois, caso se desequilibre, terá um apoio”, recomenda.

No mar, a água deve chegar, no máximo, até a altura dos joelhos, e locais com muitas ondas devem ser evitados. O risco, neste caso, é de a onda se chocar de modo violento contra a barriga e gerar um trauma na região do abdome, o que pode causar dor, contração uterina e, em casos mais graves, sangramento devido ao deslocamento da placenta. Por isso, a orientação é sempre virar de costas caso as ondas comecem a se formar.

Já na piscina, a gestante não pode entrar mergulhando. “Tome cuidado para entrar e sair pela escada de acesso e ficar mais perto da borda para conseguir se apoiar caso sinta algum desconforto ou mal estar”, aconselha Dra. Erica. De acordo com ela, as atividades físicas na água são ótimas, mas só devem ser feitas com a autorização do obstetra e acompanhamento do professor de Educação Física. “Evite ficar mais do que três horas sem se alimentar e intercale períodos de descanso e pausas para tomar água durante os exercícios.”

A recomendação também vale para as atividades feitas fora da água, que, da mesma forma, só podem ser praticadas com autorização e acompanhamento. As mais indicadas são caminhadas na praia e no calçadão, ou até mesmo na beira do mar, onde a água é bem rasinha. Alongar-se pela manhã e no final da tarde e praticar ioga e Pilates também são recomendados. Tome cuidado com a areia muito fofa, que pode ocasionar uma torção de tornozelo, e sempre converse com um médico para adaptar as atividades ao mês da gestação.

Outro cuidado importante que a futura mamãe deve ter na praia é com a proteção solar e hidratação. “Devido à produção hormonal, a gestante corre mais riscos de ter manchas na pele, então ela deve abusar do filtro solar e lembrar-se de reaplicá-lo a cada duas horas. A exposição ao sol deve acontecer preferencialmente antes das 10h e após as 16h, e, nos horários de pico, ela deve se proteger debaixo do guarda-sol e usar chapéu ou boné”, orienta a especialista. A desidratação pode causar mal estar, caracterizado por dores de cabeça, diminuição da salivação, tontura, queda da pressão e desmaios, além de infecção urinária, que, caso se agrave, gera risco maior de trabalho de parto prematuro. A orientação é ingerir, no mínimo, de dois a três litros de água filtrada por dia e tomar água mineral somente de garrafa lacrada.

Outras recomendações

- Não fique muito tempo com o biquíni molhado: isso gera umidade na região íntima, propiciando a proliferação de fungos e podendo levar a infecções vaginais (candidíase);

- Evite comer em barracas clandestinas e de vendedores ambulantes. Opte por alimentos leves e evite frituras. Prefira, também, os sorvetes menos calóricos, como os de fruta;

- Fuja do pico de sol e do calor excessivo, que causa vasodilatação, podendo culminar em uma queda de pressão arterial, e inchaço;

- As cidades praianas possuem altitude diferente. Por isso, a própria viagem a estes lugares pode interferir na pressão arterial, que, geralmente, é mais acentuada no segundo trimestre da gestação, mas que pode ocorrer em qualquer período;

- Fique atenta às épocas de temporada, quando há maiores riscos de água contaminada e disseminação de doenças infecciosas, o que pode causar diarreia, vômito e desidratação;

- Carregue sempre consigo o cartão pré-natal, caso precise se consultar com um médico.

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