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Síndrome dos ovários policísticos
Ela afeta muitas mulheres e pode prejudicar as que querem engravidar
Por Maíra Donnici • 01/11/2007

Pode parar de ler a mulher que nunca teve uma queixa decorrente de oscilações hormonais. Elas são tormento de dez entre dez representantes do complexo universo feminino. Alterações físicas, dor de cabeça, inchaço, mudanças repentinas de humor, cólicas estelares e até problemas mais graves durante praticamente a nossa vida inteira, da pré-adolescência à menopausa. Tudo graças a pequenas células que, em maior ou menor dosagem, podem modificar - e muito! – o nosso corpo. Um exemplo disso é a síndrome dos ovários policísticos, um distúrbio descrito pela primeira vez em 1935, comum em 5 a 10% das mulheres em período fértil.

Causado por altas quantidades de androgênio (hormônio masculino), o distúrbio, que também atende pelo nome de Síndrome de Stein Leventhal (nome dos cientistas responsáveis por sua identificação), gera desde o aumento de pêlos a diabetes e infertilidade. Indício um – você fez um exame de ultra-som rotineiro e, ao receber o laudo, notou, na região onde se depositam os óvulos, uma série de carocinhos ou cistos. A sentença: ovário policístico. Calma, a princípio, não precisa se desesperar. Saiba que 10 a 20% das mulheres passam pela mesma situação. Esses cistos nada mais são do que folículos em desenvolvimento, que deveriam se transformar em óvulos, mas não concluem o ciclo.

Se a mulher quiser associar a anticoncepção ao tratamento, pode tomar pílula. Por outro lado, se a questão maior é a infertilidade e ela deseja engravidar, o tratamento vai ter que ser direcionado para a ovulação


Pela ordem natural do organismo feminino, se pelo menos um desses cistos se transformar em óvulo todo mês, não há motivo para se preocupar, pensando que trata-se da síndrome dos ovários policísticos. A ginecologista Mariana Maldonado explica que a imagem pode ser apenas isso: uma imagem. "A menos que apareçam sintomas, os cistos são somente um achado. A mulher ver essa foto a vida inteira não significa necessariamente apresentar os efeitos do distúrbio", alega Mariana.

Já que a manifestação dos sintomas é tão importante na identificação da síndrome, vamos a eles. Indício dois – aumento de pêlos no corpo, pele demasiadamente oleosa, aparecimento de espinhas, ausência ou inconstância da menstruação – que levam à infertilidade –, obesidade e, em alguns casos, hemorragia uterina, denunciam uma possível síndrome de ovários policísticos. "Quando nenhum dos folículos produzidos se forma, a pessoa deixa de menstruar. Assim, se a mulher sempre foi regular e começa a notar freqüentes alterações em seu ciclo, é bom fazer a avaliação, além de exames de sangue para afastar outros problemas, como os de tiróide", aponta o ginecologista Armando Fernandes. O quadro clínico se assemelha à hiperprolactinomia (aumento de prolactina, aquele hormônio que encadeia a produtora do leite materno) e alterações na glândula supra-renal, que sintetiza diversos hormônios.

A síndrome de ovários policísticos não possui causas estabelecidas. Mesmo assim, acredita-se que a obesidade pode ser uma delas. O motivo é que o excesso de peso está envolvido com problemas de ovulação, derivados da produção de mais androgênio – hormônio masculino – do que o necessário. Isso porque, uma vez em demasia, as células de gordura agem no processo de transformação de estrogênio em androgênio, modificando o balanço hormonal. Lógico que nem toda a mulher obesa vai ter a síndrome de ovários policísticos, como nem toda a portadora do distúrbio ficará obesa. A menos que os sintomas sejam identificados, a possibilidade pode ser descartada. Outros possíveis fatores são problemas na próprias glândulas do sistema nervoso central, como hipófise e hipotálamo, responsáveis pela produção de estrogênio e progesterona, e tumores ligados à produção de androgênio. "A dosagem hormonal é toda intrincada para gerar um equilíbrio. Quando se tem um problema na produção ou no mecanismo de regulação, o corpo vai sentir", diz Mariana Maldonado.

De fato, para uma mulher que quer engravidar, o distúrbio é uma grande ameaça à fertilidade. E não pára por aí: uma conseqüência da síndrome de ovários policísticos associada à obesidade é o aumento da resistência à glicose (lê-se hiperinsulinemia). Isso porque as mulheres portadoras da hiperinsulinemia acumulam muita quantidade de insulina no sangue, e podem desenvolver a diabete tipo II. "As células de glicose têm receptores específicos, que as retiram do sangue e colocam no corpo. Algumas mulheres com maior problema de obesidade apresentam defeitos que impedem essa entrada e o organismo. Assim, a pessoa não consegue acumular glicose e o pâncreas continua a produzir insulina", descreve Mariana Maldonado, acrescentado ainda que os casos mais extremos estão arriscados a contrair doenças cardiovasculares e hipertensão.

Se você achava que os hormônios só davam dor de cabeça – literalmente –, em determinada época do mês, pode constatar que uma alteração no equilíbrio exerce impacto sobre o nosso corpo. Felizmente, a síndrome é tratável com um controle hormonal. Aos primeiros sinais de suspeita, o melhor a fazer, antes de qualquer medida, é procurar um especialista para ter certeza de que não se trata de outra doença. A partir da confirmação, o alvo, segundo Mariana Maldonado, varia de acordo com o problema de cada uma. "Se a mulher quiser associar a anticoncepção ao tratamento, pode tomar pílula. Por outro lado, se a questão maior é a infertilidade e ela deseja engravidar, o tratamento vai ter que ser direcionado para a ovulação. Em mulheres obesas, o emagrecimento consiste na medida mais indicada", esclarece ela. Então, detectado algum desses sinais, procure um ginecologista ou endócrinologista antes que o problema se agrave.



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