É comum que muitas mulheres antes de engravidar não compreendam as mudanças ocorridas nas vidas de suas amigas e irmãs que já têm filho. Muitas vezes não se imaginam fazendo (ou deixando de fazer) certas coisas após o nascimento do bebê. Como é difícil antes de ter filhos conseguir se ver limpando o cocô de um bebê ou ficando noites sem dormir, até de fato tê-los em suas vidas.
Para muitas mulheres, parece missão impossível! Cuidar de um bebê pode parecer difícil e, de fato, é. Mas também é fácil se surpreenderem com as próprias atitudes após o período de gestação - ao se depararem com este novo ser que já faz parte da história da sua vida.
Cuidar de um bebê é trabalhoso, pois, entre outras situações, não se compreende muito bem o que ele sente quando chora, se deve chupar chupeta ou não, se deve ter hora para mamar ou não... isso deixa as-mamães-de-primeira-viagem inseguras.
Penso que um dos aspectos importantes a ser considerado pelas novas mamães é a possibilidade de escutarem suas intuições. Uma mãe que estabelece um bom encontro com o bebê desde as primeiras horas de nascimento vai construindo um lugar junto a ele. Portanto, mais chances de compreender o que está acontecendo, ou, ao menos, mais chances de manter-se tranqüila até que o melhor para o bebê possa ser feito.
Uma gravidez tranqüila seguida de um parto tranqüilo em que , sobretudo, o bebê pode ficar com a mãe desde os primeiros momentos de vida são condições importantes para que se tenha, de fato, um bom encontro.
Um bom acompanhante na maternidade que possa dar suporte tanto para o bebê quanto para a nova mamãe também será fundamental. Não adianta, por exemplo, pai e mãe nervosos com a dificuldade que o bebê possa estar enfrentando com as primeiras mamadas ao seio! Mesmo que o acompanhante não tenha experiência (pode ser o papai-de-primeira-viagem), é preciso ter confiança e saber que vai poder contar com ele.
Um outro aspecto importante a ser considerado é a escolha do pediatra que irá acompanhar o desenvolvimento da criança. É claro que não se pode e não se deve colocar o médico no lugar de quem irá conhecer o bebê mais do que a própria mãe. Definitivamente, este não é o lugar do pediatra, mas deve ser alguém que ofereça segurança, que foi indicado por profissionais, parentes ou amigos próximos à família. O pediatra será alguém que dará aos pais um feed-back de como a criança está se desenvolvendo, cuidando ainda das possíveis doenças infantis que apareçam no caminho.
Também será de grande ajuda, escutar pessoas mais velhas como, por exemplo, a avó do bebê. Com sua experiência, os mais velhos podem dar um bom suporte e mais tranqüilidade a mamãe novata.
Ao retornar para casa, agora com um novo membro da família, será importante adaptar-se à nova configuração familiar. O bebê precisará da atenção da mãe, dos seus cuidados e afeto. No entanto, as mães precisam ficar atentas para que possa ver a vida para além do filho.
Apesar desta fase ser trabalhosa, muito encantadora e cheia de novidades (afinal de contas, ser mãe é algo muito especial), a nova mamãe não deve esquecer que não deixou de ser mulher, profissional, cidadã, amiga só porque se tornou mãe. Por isso, para a saúde emocional de todos, é bom que além de olhar para o lindo bebê da casa, a mãe possa olhar para ela mesma e fazer algo de interessante além das fraldas, mamadeiras, sopinhas e banho de sol.
Reservar um tempo para si, para o marido, para os amigos e para pequenas atividades que fazia antes do nascimento do bebê: como ler o jornal, usar a internet, pintar um quadro... a longo prazo, lhe trará benefícios.
Algumas mulheres ao se tornarem mães esquecem das suas vidas e passam a viver em função dos filhos. Algumas mães têm inclusive dificuldade em permitir a participação do pai no processo ou de qualquer outro adulto.
Outras deixam de cuidar do próprio corpo e esquecem inclusive dos maridos. Não é bom nem para a mãe e muito menos para o bebê que acabara de chegar ao mundo e precisa crescer!
O bebê, para crescer de forma saudável dentro do que entendemos ser um desenvolvimento normal, precisa conhecer o mundo, isto é, o mundo fora desta relação mãe-bebê. Como?
Assim como a criança precisa dos cuidados básicos a sua sobrevivência física (alimentação e higiene) e emocional (carinho, atenção e um colo aconchegante), precisa também de certo distanciamento da mãe ou de quem dele cuida. Desta forma, será possível crescer saudável do ponto de vista psíquico, na medida em que a mãe permitir a entrada do pai na relação ou de outros adultos presentes na sua vida, ou seja, desejar algo mais do que aquele filho.
O bebê só desviará o seu olhar da mãe e poderá se relacionar com outros objetos, isto é, com o mundo que o cerca, na medida em que a mãe desviar também o seu olhar do bebê e apresentá-lo ao mundo.
É preciso compreender que a criança só conhece a vida além do seu próprio umbigo pelas mãos das mães.
Mônica Donetto Guedes é psicanalista do Apprendere Espaço Psicopedagógico.
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