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Quantidade X Qualidade
Separe um tempo para você dedicar exclusivamente aos seus filhos
Por Apprendere • 13/04/2008

Tempo com filho não é quantidade, é qualidade. Certamente você já ouviu esta frase. Mas, saber o que ela realmente significa é outra coisa. Será que existe diferença entre as horas que você passa dedicando cuidados à criança e as outras, mais livres?

A preocupação com o tempo destinado aos pequenos surge diante da culpa que as mães sentem por estarem envolvidas com sua profissão e passarem a maior parte do dia no trabalho. Muitas vezes, não é desejo materno estar tantas horas fora de casa. A necessidade levou a mulher a tornar-se fonte de renda para o orçamento familiar. Em outros casos, é demanda feminina realizar-se profissionalmente e investir mais e mais em sua formação. E também, há casos em que a necessidade caminha lado a lado com o desejo de sucesso. As três situações são legítimas e não podem ser desconsideradas. Então, por que a culpa?

Preste atenção nos detalhes de seu filho. Escute o que ele diz ou, simplesmente, os sons que produz tentando se comunicar. Tudo isto é qualidade de tempo

Por uma questão social, sempre foi da mulher a tarefa de criar os filhos e promover sua educação. O homem trabalhava e a mulher cuidava da casa e da família. Hoje, mesmo que o companheiro concorde que a função educativa é dos dois, a mulher ainda toma para si a maior parte da responsabilidade. Aí nasce o primeiro conflito. Quando as coisas vão bem, a mãe quer estar ao lado do pimpolho para curtir suas façanhas. Atitude ditada pelo instinto materno em toda sua sensibilidade e afeto. Nada mais natural. Se algo aponta para um possível problema, a mãe, da mesma forma, sente não estar por perto para orientar a criança. Nos dois casos, a culpa aparece e a dificuldade em dividir com o pai as dúvidas e angústias também.

Compreender que ser uma mãe presente não é sinônimo de estar todo o tempo junto de seu filho alivia a culpa, permitindo olhar com mais clareza para o que pode ser feito. Por exemplo, como administrar melhor as horas livres que você tem para estar, inteira, com a criança.

As tarefas de higiene e alimentação são tão importantes quanto o momento da brincadeira, da história ou do desenho animado. Desde que não seja puro ato mecânico para cumprir a obrigação. Aproveite esses momentos para falar com a criança. Diga o que quiser: como foi seu dia, a saudade que sentiu, como ela é importante em sua vida. Conte histórias, se preferir. Faça carinho. O toque afetuoso da mãe significa muito para os pequenos. Preste atenção nos detalhes de seu filho. Escute o que ele diz ou, simplesmente, os sons que produz tentando se comunicar. Tudo isto é qualidade de tempo. Mas, lembre-se, se você estiver cansada demais ou muito irritada porque teve um dia complicado, é preferível delegar a hora do banho e da comida ao pai ou a quem estiver disponível. Pode ser a babá, a avó, a funcionária da casa. E, caso não exista esta pessoa, a ordem é relaxar primeiro. Poucos minutos de descanso podem fazer milagres por você.

Nos fins de semana, escolha um momento para brincar, de preferência ao ar livre. As brincadeiras estimulam o desenvolvimento afetivo, relacional, cognitivo e psicomotor. São as áreas que dizem respeito às emoções, à socialização, à inteligencia e à coordenação motora. E lembre-se que mesmo sendo um tempo pequeno, você continua sendo educadora. Isto quer dizer que as regras e os limites podem e devem ser colocados.

Se você não está trabalhando fora de casa e tem todo o tempo para o filhote, vale lembrar que a qualidade de tempo também se aplica, embora a quantidade exista. Alguns momentos exclusivos para o riso, o toque, a conversa sempre se farão necessários. Impor limites continua sendo fundamental. Deixar a criança fazer o que quer na hora que bem entende não está valendo neste caso da mesma forma que não vale no primeiro. Corrigir um comportamento inadequado também é demonstrar amor. A forma que você conduz a situação é que faz toda a diferença. Seja firme e carinhosa. Converse, mas dê a palavra final. Evitar os conflitos é válido, porém há horas que não dá para adiar a bronca nem o castigo. A relação, ao contrário do que se pensa, só tem a ganhar porque se fortalece em vínculos, respeito e afeto, facilitando o convívio e tornando mais prazerosas todas as outras atividades familiares.

Lucíola Agostini é psicopedagoga clínica e pedagoga do Apprendere Espaço Psicopedagógico.



Apprendere é uma clínica que reúne psicopedagogas, psicólogas e psicanalistas com experiência no atendimento a crianças, adolescentes e adultos, além de desenvolver pesquisas focando o desenvolvimento do sujeito no campo da saúde mental e educação.  Leia mais deste autor.




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