A jornalista Alessandra Canha, mãe de João Pedro, de três anos, conta que a escolha demorou e foi um pouco na base da tentativa e erro. "Até encontrarmos a atual pediatra do João Pedro, eu e o meu esposo passamos por três médicos, desde o nascimento até os oito meses. A primeira médica disse que teríamos que mudar todo o quarto dele: de cortinas (que são de tecido) para persianas, os bichos de pelúcia (envelopar no saco plástico), até o detergente da casa (que deveria ser biodegradável). Ouvi atentamente a consulta, questionei algumas coisas e em casa, eu e o meu esposo concluímos que deveríamos mudar de pediatra. O João Pedro, até então, não apresentava nenhum quadro que justificasse mantê-lo em uma ‘redoma de vidro'. Tínhamos que prepará-lo para o mundo real, pois depois de seis meses ele iria para a creche", lembra.
Nessa hora, segundo a mãe, o que prevaleceu foi o sexto sentido materno, que indicou o que seria melhor para o filho. "Poderíamos ter ficado inoperantes diante da autoridade dela como médica, mas optamos por adotar uma postura diferente, por puro instinto. Essa foi uma das inúmeras experiências que passamos e que nosso instinto falou mais alto. Acredito que para criar intimidade, criar vínculo, você precisa, inclusive, errar", opina Alessandra, que conta ainda uma história que ilustra bem esse pensamento. "Certo dia, eu estava trabalhando no horário do João Pedro mamar e meu esposo deu banana amassada a ele. Durante a noite ele chorava sem parar. Nada o acalmava. Não queria mamar, não evacuava... Levei na emergência. Chegando lá, eu não me lembro bem o que a enfermeira fez e ele vomitou. Ela disse: ‘Mãezinha, o que ele comeu hoje?' Meu esposo respondeu: ‘A última refeição foi banana amassada.' ‘Você quer dizer banana, né? Porque amassada está muito longe disso aqui ser', respondeu ela. Voltamos para casa, ele melhorou e essa experiência ficou para sempre. Isso aproxima, cria laços e torna a vida real", comenta.
Checklist
De acordo com o Dr. José Gabel, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade de Pediatria de São Paulo, existe uma série de fatores importantes que precisam ser levados em conta na hora de escolher um pediatra para o seu bebê. É claro que aquela velha história da empatia também se aplica. Mesmo assim, alguns fatores profissionais podem ajudar a garantir, pelo menos, que seu filho estará nas mãos de um bom profissional. São eles: "Indicação de pessoas conhecidas (preferencialmente do próprio obstetra), linha de conduta (Alopatia, Homeopatia, Antroposofia), disponibilidade (não adianta nada ser paciente de um médico com o qual nunca se consegue falar) e proximidade entre o consultório e a sua residência (evita ainda mais desgaste para pais e filho em uma emergência)."
"Outro cuidado que os pais têm que ter nesse momento é verificar se o médico escolhido é membro da Sociedade Brasileira de Pediatria ou da sociedade de pediatria em seu estado", ressalta.
Quando procurar
Para Dr. Gabel, o melhor momento para pesquisar um pediatra e começar o acompanhamento é no último mês da gravidez. "É importante ter tempo para se conhecer o futuro médico da criança, que possivelmente cuidará dela por muitos anos. Apesar de o acompanhamento da saúde da criança ser feita por um Perinatalogista, desde o nascimento até, no máximo, uma semana depois, se o pediatra tiver um próximo relacionamento com os pais e o bebê desde o momento do nascimento, ele saberá qual é a dinâmica do recém-nascido, e isso pode ser fundamental para um diagnóstico preciso e o um tratamento eficaz", concluiu.
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