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Deixe as crianças de fora quando a conversa não é do interesse delas
Por Espaço Apprendere • 31/08/2008

Por mais modernos que os pais sejam e por mais que optem por uma educação pautada no diálogo e na verdade, é preciso entender que nem todos os assuntos da família devem ter a participação dos filhos ou ainda o testemunho dos mesmos.

São vários os motivos que devem ser considerados pelos adultos quando pensam em levar algum tema para ser conversado ou discutido na frente dos pequenos. Entre eles, penso que um dos mais importantes a ser considerado é a capacidade intelectual e emocional da criança em compreender o assunto em pauta.

A criança escuta como criança e, desta forma, se está na fase operatória, por exemplo, pode internalizar o tema em questão sem nenhuma capacidade de elaboração, sem qualquer capacidade de análise

Os mais antigos não permitiam que as crianças permanecessem na sala quando os adultos estavam conversando. Nos anos 70, uma determinada corrente da psicologia trazia uma nova forma de se pensar a educação de crianças, e dentro dela havia a idéia que nada deveria ser proibido e que muitas das intervenções poderiam ser traumáticas. Certamente, estes estudos contribuíram para que de lá pra cá os pais diminuíssem a distância entre adultos e crianças.

Não é o caso de voltarmos no tempo e buscarmos no passado a referência para os dias atuais no que se refere à educação de crianças, mas certamente é preciso resgatar alguns valores que, quando analisados nos dias de hoje, fazem sentido.

Adultos falam de temas de adultos baseados em suas experiências de vida. Adultos discutem seus problemas porque estão dentro deles e já têm uma compreensão intelectual que os levam a falar e escutar, ainda que com dificuldade ou que por muitas vezes não consigam resolvê-los.

A criança escuta como criança e, desta forma, se está na fase operatória, por exemplo, pode internalizar o tema em questão sem nenhuma capacidade de elaboração, sem qualquer capacidade de análise.

Impressões que ficam

É possível compreender o que quero dizer a partir desse fragmento trazido por um paciente: "Tinha mais ou menos quatro anos quando escutei meu primo (muito querido), bem mais velho que eu, falar para um amigo (que devia ter quase a idade dele) que tinha vontade de me matar". Nas suas associações, o paciente diz entender que possivelmente o que o primo queria dizer é que já não agüentava mais ter que acompanhá-lo o tempo todo, levando-o a todos os lugares. Neste caso, compreendia que "matá-lo" era só uma expressão. Mas ainda assim diz que este fantasma o acompanhou durante anos e a imagem que vinha à sua cabeça era do primo com uma grande pedra correndo atrás dele. Este paciente diz saber que algo deste fato tem relação com a sua dificuldade de fazer boas relações de amizades e de confiar nas pessoas.





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