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Pai: pelo direito de ser coruja
A interação entre pai e filho também é essencial e deve ser estimulada
Por Carolina Mouta • 28/07/2008

Muito se fala da mãe, da sua ligação com o filho e da tendência de superproteção que ela desenvolve com a cria. Para ela, seu bebê é sempre perfeito - é a famosa "corujice" maternal. Muitas vezes essa relação tão próxima que a mãe constrói com o filho é alvo de ciúmes do pai. Atenção! A figura paterna faz toda a diferença. Um pai participativo e atencioso representa mais auto-estima, mais confiança, segurança e equilíbrio. Estudos mostram que crianças que têm maior participação do pai em sua vida aumentam sua capacidade de desenvolvimento cognitivo. Ou seja, o afeto é fundamental até para a construção da inteligência.

Mãe e bebê criam um vínculo de íntima dependência desde o primeiro minuto da gestação. Mas para que a relação pai-filho-mãe tenha o tom correto, a participação masculina também é essencial desde a fase intra-uterina. O contato estreito com o pai é muito importante, entre outras coisas, na construção da autonomia e da ousadia da criança. "Geralmente, é no parto que o pai ‘concretiza' aquela nova existência. Esse sentimento aumenta com a mudança de ritmo e rotina dentro da casa. Neste momento, se o pai e a mãe se associam nos cuidados e fazem uma parceria, se o pai é chamado a dar apoio à mãe, mesmo que não se envolva tanto nos cuidados físicos do bebê, a construção do elo começa a ser feita de forma amorosa e profunda", conta a assistente social e especialista em sistemas humanos Sandra Fedullo.

Geralmente, é no parto que o pai ‘concretiza' aquela nova existência. Esse sentimento aumenta com a mudança de ritmo e rotina dentro da casa. Neste momento, se o pai e a mãe se associam nos cuidados e fazem uma parceria

Há pesquisas que comprovam que, com a ausência do pai na primeira fase da vida, a criança cria um vínculo muito forte com a mãe e, depois, pode ter dificuldades em aceitar a figura paterna. É o pai quem estimula a independência e solta as amarras que ligam o filho à mãe. Simbolicamente, ele o retira do colo materno e lhe apresenta as formas de crescimento. "O pai é importante para mostrar ao filho que o mundo é feito de limites, possibilidades e impossibilidades, e os papéis do pai serão sempre muitos. O principal é pensar em ensinar com amor, educar com amor e com os necessários limites", explica o professor João Beauclair, psicopedagogo e mestre em educação.

Exercendo os limites

Entretanto, todo cuidado é pouco. Há uma linha bastante tênue entre cortar o excesso de proteção da mãe e tornar-se permissivo. A psicóloga educacional Maria Luisa Uzun de Freitas esclarece: "Quando o pai, devido ao seu trabalho, não tem tempo de dedicar-se como ele gostaria ao seu filho, uma forma de suprir a carência afetiva da criança e aliviar seu sentimento de culpa é tornar-se mais tolerante. Com isso, as 'vontades' do filho passam a ser atendidas sem restrições, o que de certa forma produz conseqüências positivas e negativas para o desenvolvimento da criança".

A engenheira Ana Carla Brito, de 32 anos, sabe bem o que é isso. Casada com o também engenheiro Caio Brito, 34 anos, e mãe de Bianca, de três anos, ela sofre com o comportamento do marido. Como Caio viaja muito a trabalho, os limites da filha ficam comprometidos. "Quando ele está por perto a Bia pode fazer tudo. Ele não lança nenhum olhar de censura. Isso é horrível, pois eu fico sempre como aquela que briga, que não deixa fazer, que não dá o que a criança quer", desabafa Ana.

Para papais e mamães, uma recomendação: todos os excessos são prejudiciais. "Excesso de zelo, de regras, de presentes, de mimos... Enfim, poderíamos enumerar vários excessos. Vale lembrar que é necessário sempre contar com o bom senso na hora de educar os filhos, só assim poderemos criá-los de maneira saudável, de forma que tenham a oportunidade de se desenvolver de maneira equilibrada do ponto de vista social, afetivo e cognitivo", diz Maria Luisa.

A permissividade de Caio não é o único problema que deixa Ana Carla de cabelo em pé. Ele também a desautoriza. "Se a Bia faz algo errado, tenho que repreendê-la. Ela tem três anos e entende muito bem. Mas, se o Caio ouve já lança mão do 'coitadinha, não fala assim com ela' e, cinco minutos depois, lá está a Bia fazendo a mesma coisa", conta a mãe.

Outra questão importante para a aquisição de limites é não fazer da educação da criança um cabo de guerra. "Isso acontece quando pai e mãe estão lutando pelo poder entre si, e educar o filho está em segundo plano. A grave conseqüência dessa briga é que o filho fica sem parâmetro para o certo e o errado: o que aprende é o que irrita e derrota o pai ou a mãe", diz Sandra Fedullo, que também é co-autora do livro ‘Papai, mamãe, você e eu?' e organizadora da obra ‘Ainda existe a cadeira do Papai?'.





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