Talvez não se tenha parado para analisar se há mais ganhos ou perdas quando se utiliza o castigo como tentativa de educar crianças. Castigos, corretivos, postura disciplinadora, seja lá qual for o nome dado, é muito mais um recurso para aliviar a raiva sentida pelos pais em relação a um comportamento inadequado da criança do que um recurso saudável que tem como objetivo a mudança na forma de ela agir.
É claro que os pais ficam irritados, tristes, aborrecidos quando percebem que o filho está agindo de forma errada, mas as suas ações com a criança não podem estar pautadas nestes sentimentos, isto é, a repreensão não pode ser porque o pai está afetado emocionalmente. A condução do problema precisa ter como objetivo a compreensão da criança e a mudança de postura diante do acontecido. No entanto, penso que o castigo não é o melhor caminho.
Os castigos, sejam eles físicos ou morais, podem criar problemas sérios para a criança. Vou me deter neste artigo aos danos que a afetam emocionalmente e que irão influenciar na sua formação como indivíduo.
Muitos castigos podem provocar pequenas dores no corpo físico, mas deixar marcas profundas no que diz respeito às emoções da criança.
Cada criança responderá diferentemente ao castigo que lhe foi imposto, pois a forma como o compreenderá dependerá de como se constituiu até o momento na relação com os pais. É certo que toda criança que se sente punida terá um sentimento de inadequação que a deixa numa situação desconfortável.
Por que as crianças são indisciplinadas?
Uma criança tem um comportamento inadequado quando, de fato, desconhece o que é o certo ou ainda quando quer chamar a atenção. Crianças pequenas muitas vezes também colocam em teste os seus pais: cometer uma peraltice, falar palavrões ou ainda desobedecer uma ordem dada pode ser usado como instrumento para "medir" até aonde vai o limite dos desses pais e até que ponto são coerentes no seu discurso.
Quando a criança faz algo de errado, um castigo muito comum imputado à criança é o de ficar pensando no que fez de errado. Qual o valor dessa ação? Se a criança fez algo de errado e desejamos que ela não o faça mais, não é exigindo que ela fique pensando nos seus erros que se estará ajudando! Ao pensar que o diálogo é fundamental nas relações e que através da fala podemos reorganizar nossos pensamentos e atitudes, uma criança que é posta de castigo é impedida de aprender ou ainda compreender o que de errado há em suas ações.
Assine nosso RSS