Historicamente vemos um grande progresso da ciência em todas as suas áreas e podemos constatar certos avanços éticos e morais que advêm de suas descobertas. Como exemplo, lembramos que antigamente as pessoas com deficiências eram confinadas para que não trouxessem "desonra" às suas famílias. Hoje, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, os que outrora carregavam os grilhões do berço estudam, trabalham, se casam e procriam, como eu e você.
O avanço da medicina, de medicamentos específicos e de diagnósticos mais precisos trouxe longevidade e melhoria na qualidade de vida da população, em geral. Certo?
Sem dúvida, se compararmos um hospital do início do século passado com os atuais, podemos observar as maravilhas da tecnologia presentes em vários deles. Porém, infelizmente, todo esse aparato ainda está disponível a poucos.
Milhões e milhões gastos com pesquisas e máquinas. Mas, o que dizer do investimento nos profissionais que se dedicam a cuidar dos outros, a ensinar, a defender os direitos dos pobres e excluídos?
A "ciência" gasta muito com equipamentos quando deveria estar investindo em GENTE. A ciência está a serviço de quem? Custo a acreditar que um foguete no espaço trará algum benefício significativo ao ser humano.
Tenho, nos meus artigos, refletido acerca das dificuldades das pessoas com deficiência e da estupidez dos preconceitos ensinados culturalmente através dos séculos. Hoje, desejo ponderar sobre a valorização conferida aos profissionais que trabalham com as pessoas com deficiências e outras necessidades.
Por causa do depoimento da Profª Mima, resolvi ser corporativista. Corporativista e um pouco saudosista. Saudade de uma época que nunca vivi. Saudade do respeito atribuído aos profissionais da saúde e da educação. Saudade de um tempo que ainda há de vir!
Atualmente, a maioria desses profissionais está mais do que ciente das dificuldades que deverá enfrentar na caminhada mas, mesmo assim, escolhe seguir a sua vocação para fazer a diferença. Por isso, devemos a eles o nosso apreço, respeito e admiração.
Sempre é bom lembrar que o reconhecimento também perpassa a questão financeira. E, o que os professores e médicos recebem como "salário" é um bom termômetro do seu "valor" na sociedade. Agora, imaginem, um médico ou professor de pobres e excluídos?
Estive, um mês atrás, num hospital público. Os poucos médicos se desdobravam em mil por entre as macas espremidas. Verdadeiros heróis numa luta sem trégua contra a miséria e o descaso. A eles, o nosso aplauso. Aos professores que vasculham, incansavelmente, as linguagens mais adequadas para ensinar, o nosso aplauso. Aos cientistas que têm como objeto de estudo a melhoria da qualidade de vida dos necessitados, o nosso aplauso.
Se vamos lutar por uma sociedade inclusiva, justa e solidária, devemos, urgentemente, rever nossos valores. Lamentos e reclamações de nada adiantam se não soubermos, primeiramente, valorizar o que é bom, justo e real. Vamos aplaudir gente que cuida de gente, bem como toda a ciência que, verdadeiramente, está a serviço de gente.
A todos os homens e mulheres que, de forma direta ou indireta, ajam em defesa da dignidade humana, o nosso mais sincero aplauso e admiração!
...porque gado a gente marca
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