Há cerca de 20 ou 30 anos, "A vida do bebê", do doutor Rinaldo De Lamare era leitura obrigatória para gestantes e mães de primeira (e até segunda!) viagem. Na verdade, por suas práticas recomendações, era considerado um livro de cabeceira, a bíblia dos nenéns. Hoje, já em sua 41ª edição, revisada e ampliada, ele continua agradando a muitos com seus conselhos, mas não é mais unanimidade na hora da escolha. Dezenas, até centenas de outros títulos disputam espaço nas prateleiras das livrarias e já dividem espaço com DVDs.
De obras contendo significado de nomes até as que dão várias razões para não escolher determinada alcunha, tudo pode ser encontrado. Manuais práticos, irônicos, dicas, dúvidas, narrativas de experiências pessoais, técnicas de massagens, maneiras de fazer o bebê sorrir, chorar ou se acalmar, ensiná-lo a nadar ou até estimular sua inteligência precoce: todos estão disponíveis.
Para quem acha um exagero toda essa amplitude de volumes com tão semelhante tema, fique sabendo que tal preocupação, de tão importante, se tornou uma subespecialidade da pediatria. A puericultura é a área da medicina que estuda os cuidados necessários ao ser humano em desenvolvimento. Ou seja, desde o nascimento até a infância. A denominação pueril vem do latim, e quer dizer infantil.
Porém, com tantas opções, como decidir o que ler? O pediatra Marcus Renato de Carvalho, especialista em amamentação, afirma que é essencial abordar os assuntos de maneira leve. "O texto deve ser claro, escrito em linguagem acessível, traduzindo o ‘mediquês', e ao mesmo tempo, manter os pais tranqüilos. Não pode assustar", comenta. Autor de livros e consultor de DVDs sobre gravidez e amamentação, o médico enfatiza também a boa qualidade da produção editorial brasileira. "Há alguns anos, livros americanos eram adquiridos em maior número, mas é necessário observar as diferenças culturais. Nosso catálogo é excelente, não deve ser menosprezado", afirma.
Outro tópico mencionado ainda pelo especialista foi a questão dos escritos por pessoas famosas, como atrizes e apresentadoras, narrando suas experiências durante, e logo após a gestação. Sem desmerecê-los, ele afirmou que seu valor é relativo, principalmente no confronto com as obras médicas. "Enquanto os primeiros contam com vivências singulares, os segundos utilizam como base centenas de casos reais", compara. "Podem trazer histórias interessantes, mas que muitas vezes serão diferentes das vividas por outras mães", finaliza.
A psicóloga Cristina Garcia da Silva concorda. Grávida de cinco meses, ela garante não se interessar por esse tipo de leitura. "Prefiro publicações médicas e científicas. Quero ler autores que tenham o que orientar", explica. Cristina afirma que quando possui alguma dúvida recorre à sua obstetra, e para esclarecimentos mais simples ou conselhos, conversa com as amigas que já passaram pela mesma situação.
Além dos habituais livros, hoje há fontes de consulta como revistas e DVDs para informar, e contar às pessoas sobre as alegrias e agruras de se estar grávida. É imprescindível observar a autoria dos mesmos para checar sua confiabilidade.
No caso das revistas, Cristina alerta para um outro inconveniente. "Comprei algumas revistas sobre quartos de bebês, mas é um absurdo a quantidade de propagandas existentes. Em uma, os anúncios iam quase até a página 40. Prefiro livros", finaliza.
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