Há quem ache que a grávida tem que ficar em casa, sem fazer esforço e evitando grandes tumultos. Claro que em gestações de risco, esses cuidados são fundamentais, mas a gravidez não é sinônimo de invalidez. As futuras mamães podem trabalhar, se exercitar e também dirigir. Mas, antes de pegar o carro e sair por aí, é preciso observar alguns cuidados ao volante: cinto de segurança, espaçamento da poltrona, velocidade máxima permitida. A não observação dessas dicas pode ser perigosa. Partos prematuros, lesões, hemorragias e até mesmo a perda do bebê podem ser conseqüência de uma direção nada prudente. Fique atenta!
"O Código de Trânsito Brasileiro não proíbe a grávida de dirigir, entretanto ela precisa entender que há riscos. Sobretudo no primeiro trimestre de gravidez, quando os enjôos e as tonturas são muito freqüentes. Mas com a vida corrida, a responsabilidade de pegar os filhos na escola, dirigir pode ser uma necessidade", constata Flávio Emir Adura, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).
Quem pode dirigir
Até 1997, o Código de Trânsito Brasileiro impedia as mulheres grávidas de dirigir a partir do quinto mês de gestação. É que além do bebê estar mais agitado na barriga, podendo desviar a atenção da mãe, os reflexos da mulher durante a gravidez se tornam mais lentos e os riscos de acidente aumentam. O atual código não faz nenhuma restrição, mas os especialistas alertam: "Teoricamente as grávidas que não apresentam nenhum problema durante a gestação podem dirigir até o nono mês de gestação. No entanto, após o sétimo mês, a prática começa a ficar complicada já que a barriga está muito grande, a posição do cinto atrapalha e as pernas incham", afirma o ginecologista Márcio Coslovsky. Por isso, é altamente recomendável que a partir deste período os cuidados sejam redobrados.
Já no nono mês é necessário reavaliar se a direção é absolutamente necessária. "O risco é altíssimo!", alerta Flávio Emir Adura. Mulheres com aumento do útero por gravidez de gêmeos, com o fundo uterino acima do esperado, pressão alta, pés inchados, tomando remédios para enjôo e com sangramentos ou rutura da bolsa d'água não devem dirigir. Os medicamentos contra enjôo causam sonolência e o inchaço nos pés dificulta a movimentação dos pedais.
Recomendações
Colisões, freadas bruscas, buracos, derrapagens. As ruas e estradas oferecem dezenas de perigos e com as grávidas, os riscos são ainda maiores. "Quando a barriga fica muito próxima ao volante, qualquer colisão ou freada mais brusca pode fazer com que a barriga encoste nele e haja descolamento de placenta", exemplifica Márcio. E Flávio acrescenta: "Pequenas freadas podem causar ruptura do útero, hemorragia e até parto prematuro". Por isso, alguns cuidados são de extrema importância. A começar por ele - o cinto de segurança.
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