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Férias, momento de união
Aproveite as férias escolares para dar mais atenção aos seus filhos
Por Espaço Apprendere • 27/07/2008

Estamos em período de férias escolares. Apesar de pouco tempo, em algumas escolas são menos de quinze dias, o recesso de julho nem sempre é bem vindo. Pois é, os pequenos ficam em casa e, para muitos pais, o fato é desanimador. Será que precisa ser assim?

É complicado explicar para as crianças de hoje como eu conseguia passar o mês inteiro de julho no sítio de minha avó, onde não existia TV ou qualquer tipo de aparelho de som. O telefone com discador, preto e pesado, ficava preso na parede e para conseguir uma linha era necessário pedir à telefonista. Nem precisa dizer que computador, videogame e DVD eram coisas de ficção científica, vistos apenas em desenhos animados como Jetsons ou em seriados como Perdidos no Espaço. A verdade é que nenhuma dessas maravilhas tecnológicas fazia falta. Eu tinha espaço para correr, subir em árvores, jogar bola, brincar na terra. Tinha tempo para ler, ensaiar peças de teatro, desenhar e colorir, recortar bonequinhas de papel. Mas, dentre as muitas lembranças boas que guardo dos períodos de férias, a mais importante de todas é a da convivência com meus irmãos e meus pais.

Estamos em período de férias escolares. Pois é, os pequenos estão em casa. É tempo de criar novos espaços para o relacionamento. Nada melhor para a criança do que sentir que seus pais estão curtindo a possibilidade de todos estarem juntos durante períodos mais longos de tempo

Muito temos falado sobre a importância de educar com regras e limites. É tarefa dos pais supervisionar e organizar as atividades dos pequenos, chamar atenção, dar broncas, colocar de castigo, cobrar rotinas. Da mesma forma é fundamental ter um tempo mais livre com as crianças. O lazer fortalece o vínculo afetivo e facilita a função educativa. Então, é possível re-significar o período de férias. Não precisa, necessariamente, ser um tempo de gastos extras em função de levar as crianças para este ou aquele programa, alugar filmes, abastecer a dispensa com refrigerantes, biscoitos, chocolates. Ao contrário do que se pensa, de que sem detonar o orçamento a missão férias é impossível, as melhores opções são aquelas que envolvem a participação e a presença dos pais. Ir ao clube ou à praia, passear de bicicleta, montar um quebra-cabeça, brincar de carrinho ou de boneca, desenhar ou pintar, assistir a um desenho animado, jogar bola, ler histórias. São atividades simples que aumentam a cumplicidade e estimulam a amizade entre pais e filhos.

Agendar programas diferentes, e caros, faz parte do lazer, mas deve ser um acontecimento e não um fato corriqueiro. Shopping com lanchonete todas as tardes, além de fazer um estrago no bolso, pouco contribui para o desenvolvimento infantil, uma vez que fecha o leque de opções de divertimentos e estimula o consumismo. Além disso, a insatisfação dos filhos parece ser sempre maior do que o contentamento, pedindo e querendo coisas o tempo todo. Uma tarde no clube, ao ar livre, brincando, aproxima pais e filhos, abre espaço para o diálogo e fortalece o vínculo afetivo. O pedir e o querer sai da esfera meramente material.

As férias existem para que as crianças descansem das tarefas escolares, mas a rotina ainda assim deve ser assegurada. De modo geral, é preciso garantir que a criança durma sempre no mesmo horário, acorde cedo, faça refeições saudáveis e continue a respeitar as regras da casa. Por exemplo, não há motivo para que as horas em frente ao computador sejam totalmente liberadas. Os pais podem e devem fazer um novo planejamento diário com os pequenos, adaptado para as férias, mas tudo deve ser bem dosado. Não é necessário ter horários tão rígidos, mas é importante continuar tendo horários.

E cuidado com o ócio infantil. Há necessidade de manter as atividades físicas. A criança precisa gastar suas energias para comer melhor, dormir melhor, ter um humor melhor.

Estamos em período de férias escolares. Pois é, os pequenos estão em casa. É tempo de criar novos espaços para o relacionamento. Nada melhor para a criança do que sentir que seus pais estão curtindo a possibilidade de todos estarem juntos durante períodos mais longos de tempo.

Lucíola Agostini é psicopedagoga clínica e pedagoga do Apprendere Espaço Psicopedagógico.



Espaço Apprendere é uma clínica que reúne psicopedagogas, psicólogas e psicanalistas com experiência no atendimento a crianças, adolescentes e adultos, além de desenvolver pesquisas focando o desenvolvimento do sujeito no campo da saúde mental e educação.  Leia mais deste autor.




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