Não são apenas os adultos que são suscetíveis a ele. O ritmo da vida moderna, as cobranças na escola, a separação dos pais e até mesmo a perda do cachorrinho podem gerar estresse infantil, trazendo muita ansiedade, medos e agressividade à criança. Se não for tratado a tempo, o estresse evolui para um quadro de depressão e pode, no futuro, formar um adulto com dificuldade em tomar decisões, baixa auto-estima e dificuldade de estabelecer relacionamentos estáveis. Mas por que cada vez é maior o número de crianças estressadas?
"O estresse é resultado de fatores como a vida cada vez mais rápida, em que não há tempo para cuidar de si mesmo e dos outros. Com isso, os pais se tornam mais ausentes. Ao mesmo tempo, a criança está cada vez mais envolvida com atividades e acaba tendo menos tempo para brincar. E a sociedade também tem exigido mais desempenho por parte das pessoas, ampliando as expectativas sobre os pequenos", explica o professor do Departamento de Psicologia Escolar da UNB Áderson Luiz Costa Junior. A violência dos grandes centros, a desestruturação familiar, a iniciação sexual precoce, a rejeição dos colegas, mortes na família, nascimento de irmãos e mudanças constantes também são causas de estresse infantil. E ele pode atingir crianças de todas as idades - inclusive bebês!
Atenção aos sinais
Além dos fatores externos citados por Áderson, a própria maneira com que a criança encara o que ocorre em sua vida é um gerador de estresse. "Ele pode ser conseqüência de ansiedade, desejo de agradar, medo do fracasso e da solidão, dúvidas quanto à própria inteligência e beleza", confirma a psicóloga e professora do Centro Psicológico de Controle do Stress Valquiria Tricoli.
Para identificar se seu anjinho anda estressado, fique atenta a alguns sintomas. "Os pais devem se prender a todos os detalhes. Qualquer mudança de comportamento do filho pode ser indicativa de estresse. Por exemplo, uma criança que sempre gostou de ir à escola e agora se recusa a fazê-lo, dores físicas sem causas biológicas e dificuldades de relacionamento com coleguinhas e irmãos também devem ser considerados", resume Áderson. E Valquiria acrescenta: "Terror noturno, pesadelos, tristeza, choro excessivo, infecções freqüentes e introversão são outros sintomas". Em crianças menores de cinco anos é comum haver desejo de estar sempre nos braços dos pais, falta de apetite, dificuldades na fala, medo de ficar sozinho e retorno a comportamentos infantis, como urinar na cama e chupar o dedo.
O exemplo dentro de casa
"Pais estressados dentro de casa geram crianças estressadas"! A afirmação é da Dra. Valquiria. Ela orienta que, para prevenir o estresse, o exemplo deve vir dos adultos. "Pais e professores são modelos para a criança de como resolver os problemas e lidar com as situações. Por isso, a falta de paciência e a irritabilidade as atingem diretamente, e com isso elas poderão se sentir rejeitadas, agredidas", argumenta. Portanto, muito cuidado com o que você anda falando e fazendo no ambiente familiar.
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