• Crédito: Arquivo pessoal
  • Elke Servaes, pedagoga, especialista em inclusão
Embaixadores da alegria
Alegria não se dá, não se vende e, portanto, não se compra. Sentimos
Por Elke Servaes • 19/02/2008

No último artigo conversávamos sobre o direito à diversão, à fantasia. A alegria, inerente a todo ser humano, nos impregna pelos motivos mais distintos. Alegria, contentamento, júbilo, satisfação, regozijo, exultação. "Alegria, alegria", de Caetano. Alegria pela conquista, pelo encontro ou reencontro, pelo lindo dia, por estar vivo.

Antônimo da tristeza, a alegria carrega em si o gosto pela vida. Tudo que não é morte, perda, pode suscitar alegria. Comumente, seguimos atrás da felicidade como se a mesma fosse algum porto seguro, mas, o que nos resta, é terminamos o dia sucumbindo às pequenas alegrias do cotidiano que alimentam nossos passos até o dia seguinte.

Pouco tempo atrás soube, pela televisão, da existência de uma escola de samba para pessoas com deficiência. A iniciativa de Paul Davis deu origem aos Embaixadores da Alegria. Uma Escola de Samba com 900 integrantes.

Assim, brincar, rir, sorrir, dançar, atos próprios de nossa condição humana acalentam a nossa alegria de viver, de fazer parte de um todo, de ser quem somos. Ninguém pode rir por nós. Por isso, não podemos delegar a nossa alegria a quem quer que seja. Da mesma forma, também não podemos permitir que ninguém roube nosso prazer de nos alegrar (seja lá por que motivo). A alegria não se compra, nem se vende.

Os anúncios tentam nos empurrar "alegria" ao comprar um carro, ao tomar um refrigerante ou adquirir um cartão de crédito. Mas, no máximo, o que obtemos é: um carro, um refrigerante e um débito na conta corrente. Simplesmente, porque, tal qual o amor, a alegria tem razões que a própria razão desconhece (B. Pascal). A razão não explica o prazer de estar vivo!

Todos têm direito à alegria! No carnaval, por exemplo, a brincadeira de criança - grande e pequena - corre solta nas ruas e avenidas. É tempo de fantasia, música, batuque, requebros e alegria. É a graça, de graça.

Pouco tempo atrás soube, pela televisão, da existência de uma escola de samba para pessoas com deficiência. A iniciativa de Paul Davis deu origem aos Embaixadores da Alegria. Uma Escola de Samba com 900 integrantes. Uma escola de gente que não vende, nem dá a sua alegria. Gente que não abre mão de seu direito de rir, brincar, dançar, cantar. Gente que se alegra e alegra uma avenida que se esqueceu que pode ser feliz com pouco, muito pouco. Tempo de carnaval, Páscoa ou Natal. É tempo de alegria. É tempo de Embaixadores da Alegria. É tempo de ser feliz todos os dias. É tempo (já era tempo) de alegria para todos!

Os Embaixadores da Alegria desfilaram no dia 2 de fevereiro. Eu não estava lá! Eu não vi a beleza dos cegos, não ouvi o surdo da bateria, nem dancei sobre rodas. Fiquei na fantasia. Na fantasia do gosto pela vida, fiquei... Alegre!



Elke Servaes é pedagoga com especialização em inclusão, autora de manuais e artigos sobre Educação Infantil e ministrante de cursos na área de inclusão e estratégias pedagógicas.   Leia mais deste autor.




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