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Distúrbios da ansiedade
Entenda os fatores que geram os distúrbios de ansiedade na gravidez
Por Cláudio Crispi • 06/11/2009

No mundo atual, a mulher assumiu uma posição de destaque na sociedade. Funções antes exercidas apenas por homens estão cada vez mais sendo dividas com mulheres. Esta "exposição" feminina aos estresses do mundo moderno, tais como: disputas por mercado de trabalho, dia a dia no trânsito e meios de transportes públicos, exposição à violência das grandes cidades, entre outros inúmeros problemas socioeconômicos do mundo moderno, aumentam os riscos ao desenvolvimento de distúrbios da ansiedade.

Exemplos desses distúrbios são ataques de pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, agorafobia (originalmente é o medo de estar em lugares abertos ou com multidões, em que o paciente tem medo de se sentir mal e não conseguir sair a tempo da situação em que se encontra), entre outros. Estudos mostraram que em algum momento de suas vidas, 31% das mulheres irão desenvolver algum distúrbio da ansiedade.

O estresse agudo pode desencadear distúrbios da ansiedade, que podem se manifestar por uma grande variedade de sintomas, tais como: palpitações, respiração rápida e curta (ofegante), episódio de medo intenso, sudorese, tonteira, enjôo etc. Se não tratados, estes distúrbios tendem a cronificar e ainda existe o risco aumentado dessas pacientes desenvolverem depressão.

Um outro exemplo é o estresse pós-traumático, em que os sintomas, geralmente, começam três meses após o trauma e duram, no mínimo por um mês. A importância do obstetra em conhecer esse distúrbio é saber que muitas mulheres vivenciam o parto como um evento muito traumático, levando até 6% das mulheres a desenvolverem o transtorno do estresse pós-traumático, após o episódio do parto. Nestes casos as pacientes podem desenvolver pesadelos, agressividade e ansiedade.

Muitas mulheres também têm medo intenso da gravidez. Considerando todas as suas fases, cerca de 20% das grávidas desenvolvem um medo intenso específico do parto, que muitos autores consideram um tipo de fobia. Por isso, muitas preferem a cesariana, para evitar as dores das contrações do parto normal. Alguns fatores de risco para o desenvolvimento desta "fobia" foram determinados, como por exemplo, alterações emocionais anteriores, baixo suporte socioemocional, desemprego e complicações em partos anteriores.

A gravidez por si só já altera o organismo feminino como um todo, não apenas esteticamente. Muitas alterações neuroendócrinas acontecem e contribuem para a ansiedade e os transtornos depressivos. Esta ansiedade antenatal é um fator de risco para o desenvolvimento de depressão no período pós-parto e, principalmente, nos primeiros meses após o nascimento.

O estresse, os medos referentes à gravidez e a ansiedade não somente trazem distúrbios psicológicos como existem muitas complicações obstétricas relacionadas a estes distúrbios, tais como:o aumento do risco da gestante desenvolver pré-eclampsia (doença específica da gestação, na qual ocorre aumento da pressão arterial e leva risco à gestante e ao feto), sentir mais dores durante o trabalho de parto e de realizações de partos cesáreos.





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