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Cyberbullying
Cyberbullying: agressões na internet se tornam comuns entre estudantes
Por Espaço Apprendere • 17/08/2008

As novas tecnologias da informação entram na vida de nossos filhos e transformam seu modo de conhecer, pensar, agir e estar no mundo. A rapidez com que as mudanças acontecem na sociedade atual afeta o comportamento das crianças, desencadeando novas situações problemáticas, entre elas o surgimento de novas formas de violência gratuita, que afetam diretamente a convivência social. Estamos falando do cyberbullying.

Para entender melhor o fenômeno do cyberbullying, é preciso compreender a relação das crianças com os computadores. Foi a internet que revelou o grande potencial da tecnologia para a educação. Quando os primeiros computadores chegaram às escolas brasileiras, em meados dos anos 90, o ensino com as máquinas se restringia a aulas técnicas, de como mexer em alguns aplicativos. Ensinava-se a usar o Word ou fazer planilhas no Excel. Hoje, as aulas de informática têm outro formato, outros objetivos. São focadas na construção do conhecimento através da pesquisa e da troca oportunizadas pela internet.

Aqueles que praticam o cyberbullying se aproveitam da falsa sensação de anonimato para praticar agressões ou intimidação por intermédio de mensagens veiculadas nos meios digitais

No atual cenário de invasão tecnológica, desponta a não-centralidade de modelos. A educação não está mais entre quatro paredes, está no mundo, em rede. O ciberespaço passa a ser visto como a possibilidade de acesso virtual a informações mundiais. A rede implica o diálogo com a diversidade, razão pela qual há a necessidade de pensar numa escola que atenda a isso. A escola é um espaço coletivo. Um campo de tensão porque nele pessoas diferentes se encontram. Acredito que o primeiro passo é estar atento ao quanto de "igualdade" estamos considerando em nossas escolas. Explico melhor: a sociedade da mídia é pautada no vínculo do consumo. Consumimos tudo e muito rápido, como se fossem demandas verdadeiramente nossas. Temos que consumir, querer coisas sem parar. E, para que isso aconteça, vivemos cercados de imagens. A imagem ocupa a centralidade das coisas. A sociedade tenta igualizar, através da mídia e da imagem, o que consumimos.

Mas, acontece que eu só posso me constituir como sujeito único quando me relaciono com as diferenças. O que é igual não me completa. Dessa forma, é preciso que as escolas promovam a idéia de que, sendo um espaço coletivo, valorize a subjetividade. Pais e professores precisam ser orientados para esse olhar.

Ao contrário do ciberespaço, a violência escolar não é algo novo, e, infelizmente, assume nova formatação a partir da extrema velocidade com que a tecnologia se desenvolve. O cyberbullying é um conjunto de comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos que são adotados por um ou mais alunos contra outros colegas via blogs, Orkut, Youtube, entre outros tipos de sites, além de mensagens de texto escritas no celular. Aqueles que praticam o cyberbullying se aproveitam da falsa sensação de anonimato para praticar agressões ou intimidação por intermédio de mensagens veiculadas nos meios digitais.

Para combatê-lo, pais e professores podem começar criando práticas concretas sobre como se portar na internet. Regras simples quando combinadas com as crianças podem desenvolver valores éticos que, ao longo do tempo, oportunizem trabalhar o respeito ao outro e à diversidade. Faz-se necessário uma proposta educativa que amplie o diálogo e propicie a reflexão sobre as diferenças. É fundamental que as crianças tenham espaço para se expressar, pois apenas desta forma é possível trabalhar a aceitação e construir a idéia de que "o que é igual não me completa, é na diferença que eu me reconheço e me constituo como pessoa".

Lucíola Agostini é pedagoga e psicopedagoga do Apprendere Espaço Psicopedagógico



Espaço Apprendere é uma clínica que reúne psicopedagogas, psicólogas e psicanalistas com experiência no atendimento a crianças, adolescentes e adultos, além de desenvolver pesquisas focando o desenvolvimento do sujeito no campo da saúde mental e educação.  Leia mais deste autor.




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