Tempo. Tempo que não volta, que sempre passa, tempo sorvido e tempo perdido. Tempo de dizer olá, tempo de dizer adeus. Tempo de dizer: Bom Dia - todos os dias!
Somos massacrados ou abençoados pelo tempo. Maldito ou bendito, dependendo do ponto de vista. Corremos atrás do tempo, como do vento, relógio em punho a dar conta de tantas obrigações. Tempo que lembra relógio, calendário, o coelhinho da Alice, contas a pagar... E, em tempo de competição, de tanta informação, acabamos por nos deixar consumir, como se o próprio tempo tivesse alguma escolha. Tão somente uma relação entre velocidade e espaço.
Em tempo de refletir sobre o tempo, penso no tempo que dispensamos aos nossos filhos. No tempo de cuidar, ensinar, brincar, conversar... Os pais, já sem tempo, adotam a qualidade em lugar da quantidade. Pouco tempo, com qualidade de interação, de carinho e de atenção. Uma hora por dia, um belo fim de semana, um telefonema na hora certa, jantar em família ou um belo café da manhã?
Quanto tempo devo passar com meus filhos para que eles cresçam saudáveis, felizes?
Certamente, a intensidade, a veracidade e a afetuosidade de uma relação, mesmo de curta duração em espaço de tempo, ultrapassa a memória na qual o ontem dura uma vida inteira. Como a lembrança que tenho da minha avó, gravada em mim antes dos meus nove anos. Minha recordação indelével de amor.
Freqüentemente tenho visto como as mães de crianças com deficiência se dedicam, com qualidade e quantidade, a cuidar de seus filhos. Muitas, inclusive, como já comentei em outro artigo, acabam por vezes, inconscientemente, relegando seus outros filhos. Outras, a si próprias, como se o tempo pertencesse apenas à redenção de seu ofício de mãe laboriosa.
Mas, quanto tempo devo passar com meus filhos para que eles cresçam saudáveis, felizes?
Uma criança com alguma deficiência requer, sem dúvida alguma, cuidados, estímulos, tratamentos e esforços múltiplos para seu desenvolvimento. Porém, lembre-se, a quantidade não dispensa a qualidade.
Logo, todo o tempo possível aos nossos filhos, tenham eles alguma deficiência ou não. Longe das desculpas e das culpas. Todo o tempo disponível para admirar o tempo que não dá, NUNCA, outra chance. Pois, o tempo passa tanto para nossos filhos como para cada um de nós. Passa como o rio que, sempre diferente, emociona sempre as suas margens. Ficam os exemplos, as recordações.
Já que o tempo é irreversível e o seu limite é o antes e o depois, resta-nos o AGORA. Meus votos são para que amanhã, na eternidade do tempo incomensurável, você seja tão feliz quanto hoje. Pois, o amanhã, o amanhã é hoje.
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