• Crédito: Morgue File
Brinquedos: coisa muito séria
Mais que diversão, eles ajudam a criança na compreensão do mundo
Por Renata Agostini • 12/10/2007

Para a criança, brincadeira é coisa séria. E não há problema nenhum nisso. Pelo contrário, uma das maiores preocupações dos pais é justamente achar o brinquedo certo para seu filho. Com tantas novidades nas lojas, não é difícil se sentir perdido no momento da escolha. Cheiros, formatos, luzes, dispositivos eletrônicos, texturas, funções. Nas prateleiras há um pouco de tudo - diversão para todos os gostos. Mas, para não errar no brinquedo, é preciso, antes, entender a função e a influência desses objetos na vida dos pequenos.

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Os brinquedos são instrumentos que auxiliam a criança a interagir com o mundo ao seu redor. É por meio de atividades lúdicas que ela se expressa, aprende, descobre. Jogos, bonecos, bolas e afins, além de divertir, surgem como um canal único de comunicação e de desenvolvimento da imaginação, como explica Mônica Picanço, professora e coordenadora geral da creche da UFF. "Cada brincadeira é um universo para ela descobrir, entender. Brincar para a criança não é mentira. Tudo dela está presente ali. É uma forma de estar em relação com o mundo, com o outro", diz.

Introduzimos a criança à sociedade por meio da brincadeira


A criança utiliza o brinquedo para explorar o que a cerca, mas esse caminho de descobertas, não deve ser traçado de forma solitária. Os pais são personagens fundamentais no universo da brincadeira. "A criança vem ao mundo e não sabe de nada. Somos nós quem damos significado a tudo. Introduzimos a criança à sociedade por meio da brincadeira. É uma linguagem primordial no mundo infantil e não é o brinquedo por si só. É fundamental a presença dos parceiros", afirma Mônica.

Entre o chip e a vareta

As inovações tecnológicas no mundo dos brinquedos chamam a atenção dos pais pelas características multifuncionais, pelo design e os recursos interativos. Novidades que têm seu valor e podem, sim, entrar no carrinho de compras e na lista do Papai Noel. Porém, não devem substituir brincadeiras tradicionais, como aquelas do tempo da vovó. "Uma pedra, uma folha, o vento, um papelzinho que você joga para o ar. Todos são materiais cheios de possibilidades. Às vezes, as pessoas ficam frustradas porque não podem comprar aquele brinquedo caríssimo e, de repente, aquilo diverte a criança nos primeiros momentos e depois, ela acaba querendo arrancar uma roda, um pedaço. Aí, os pais acabam estressados porque o pequeno está estragando o brinquedo que custou uma fortuna", conta a professora.

Se por um lado, ser tomado por um surto tecnológico na sessão infantil não é o melhor caminho, olhar os brinquedos apenas por seu potencial educativo também não parece ser a estratégia mais acertada. Mônica Picanço explica que utilizar o brinquedo como instrumento pedagógico é lançar mão apenas de uma de suas funções. "Quando ele é usado somente com este fim, deixa de ser um instrumento simbólico. A criança precisa disso também. Quando experimenta diferentes papéis, ela está organizando o mundo simbólico e internalizando regras e valores", afirma.

A professora alerta os pais para o perigo do uso excessivo dos brinquedos "educativos". A brincadeira deve ser preservada na rotina da criança como uma atividade que possibilita diversos ganhos durante seu crescimento. "É comum superestimular a criança como se o desenvolvimento afetivo e motor não fosse tão importante quanto o intelectual. A brincadeira é fundamental e cada vez mais está sendo tirada da criança. Isso é uma coisa muito séria. É preciso ter espaços de brincadeira, faz de conta, produção simbólica. Os pais precisam pensar nisso, é brincando que os filhos apreendem o mundo", alerta Mônica.





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