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Brigas na escola
Questione as brigas do seu filho na escola, mas sem duvidar do relato
Por Apprendere • 23/03/2008

Meu filho brigou no colégio. O que eu faço agora? Pode parecer algo corriqueiro, mas não é. Como tudo que diz respeito à educação dos pequenos, a forma de conduzir a questão das brigas também deve ser ponderada antes de se tomar qualquer atitude.

Em primeiro lugar, a escuta do adulto quando a criança conta o fato já fará toda a diferença. Isso porque não podemos dar cem por cento de crédito ao relato logo de saída.

É comum ouvirmos pais afirmarem "meu filho não mente". Mas mentem sim. É um mecanismo de defesa inconsciente que existe para proteger as emoções tão frágeis de quem ainda não domina o que sente. Crianças mentem, omitem, manipulam. Por mais que você conheça seu filho, desconfie da tradicional história que começa assim: eu não estava fazendo nada e ele me bateu... Pode até acontecer e, por isso, apenas desconfie no início. Não afirme que ele está mentindo nem diga que está de acordo com tudo o que ele disser. Ouça com atenção e depois converse.

Claro que ninguém quer ver o filho virando saco de pancadas, por isso ensine como agir para evitar as brigas

Procure questionar o que não está muito claro ou controverso. Pergunte o que seu filho sentiu, por que reagiu desta ou daquela forma. Pergunte também se ele não está esquecendo-se de contar nada, se não poderia ter acontecido de outra forma. Pode ser que ele realmente tenha entendido a briga do modo como está contando e cabe a você fazê-lo compreender o outro lado. Mantenha uma postura carinhosa e acolhedora. Só depois decida o que vai fazer.

Se você achar necessário entrar em contato com a escola para esclarecer o ocorrido ou mesmo por achar importante a intervenção da professora ou da equipe pedagógica, não comunique à criança o que fará usando um tom de ameaça do tipo: amanhã vão ter que me explicar isso, eu vou lá e vou fazer e acontecer. Este tipo de atitude mina a confiança do seu filho em sua professora e desgasta o respeito à autoridade da mesma. Lembre-se que é a ela que ele vai recorrer todos os dias quando precisar de orientação. Além disso, você é o adulto da história e sua fala deve ter a sua idade e não a de seu filho. Procure o colégio sempre que tiver dúvidas, mas faça-o de forma produtiva. Família e escola devem ser parceiras na tarefa educativa.

Se você entender que seu filho sofreu uma agressão gratuita pode e deve falar com ele sobre a violência que sofreu. Isso o ajudará a elaborar a mágoa que está sentindo. Atenção, porém para ser sempre positivo. Procure acolher, afagar e esclarecer. Não estimule rancor, ódio e revanche. Ajude a criança a construir valores contra a violência. Discernir o certo e o errado é importante para a formação dos pequenos, por isso é igualmente importante compreender que o que o outro fez está errado e se está errado eu não posso fazer o mesmo.

Outro ponto importante é a orientação que você vai dar para o futuro. É péssimo perguntar "você apanhou?". A criança entende que apanhar é inadmissível e sente-se diminuída. Isso fragiliza sua auto-estima e abre espaço para formar indivíduos inseguros ou intolerantes. Por outro lado, pode quebrar a espontaneidade na relação de vocês porque nunca mais seu filho vai querer desapontá-lo admitindo que apanhou. Claro que numa briga os dois batem e apanham. O mais forte bate mais, é claro também. Mas, nem por isso um é o mocinho e o outro é o vilão.

Descarte os conselhos do tipo "bata também". Claro que ninguém quer ver o filho virando saco de pancadas, por isso ensine como agir para evitar as brigas. Aconselhe a criança a procurar a professora porque ela está preparada para fazer as intervenções necessárias na disputa antes que esta chegue às vias de fato.

Mostre como certas brincadeiras nunca terminam bem. Por exemplo, brincadeira de luta acaba machucando e aí não vale brigar de verdade porque apanhou sem querer. Explique que, se implicamos com um amigo hoje, amanhã temos que aceitar a implicância de volta e com humor porque é uma via de mão dupla.

Tudo isso contribui para o desenvolvimento emocional da criança porque estimula o senso crítico, faz com que lide melhor com suas emoções e exerça a empatia, aspectos fundamentais na construção dos vínculos afetivos e das relações sociais, além de ser uma das formas de se evitar o desenvolvimento de comportamentos infratores, anti-sociais e delinqüentes na adolescência.

Lucíola Agostini é psicopedagoga clínica e pedagoga do Apprendere Espaço Psicopedagógico.



Apprendere é uma clínica que reúne psicopedagogas, psicólogas e psicanalistas com experiência no atendimento a crianças, adolescentes e adultos, além de desenvolver pesquisas focando o desenvolvimento do sujeito no campo da saúde mental e educação.  Leia mais deste autor.




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