Um bebê é uma nova realidade. E aquele relacionamento que parecia estar perfeito, cheio de mimos e atenção um com o outro, agora tem que ser dividido com choro, fraldas e mamadeiras. São muitos os desafios para os pais de primeira viagem: os cuidados com a criança, os novos gastos da família e, principalmente, um problema que os casais não costumam se preocupar - a nova fase da relação. Como administrar o casamento depois da chegada do primeiro filho? Afinal, ser mãe e esposa ao mesmo tempo não é tarefa das mais simples, e ser pai está longe de apenas escolher o time de futebol da criança.
O ninho de amor já não é mais exclusivo do casal, um novo morador chegou com a corda toda. Ocupando o espaço e roubando as atenções do casal. Afinal, choro, cólica e fome são assuntos de primeiríssima necessidade. Quem ousa pensar em namoro com uma criaturinha berrando no quarto? Esta nova rotina acaba caindo como uma bomba em muitos relacionamentos. Papais e mamães de primeira viagem não sabem como conciliar o novo papel com o de marido e mulher. Não são raras as crises matrimoniais depois da chegada do primeiro rebento.
O relacionamento da turismóloga Fabíola Higino e do assistente de engenharia mecânica Álamo Natividade, por exemplo, passou por esse momento de transformação. Casados há dois anos e meio, eles não esperavam que os cuidados com a filha fossem atrapalhar tanto a relação. "A gente passa a ser pai e mãe e se esquece que é um casal. Conversávamos sobre ela até quando deitávamos na cama, contando todos os detalhes do dia. Aí, ficávamos tão cansados que íamos dormir. Demoramos a perceber que ela estava em todas as nossas conversas. Tem que saber administrar o tempo e as atenções", afirma a mãe de Maria Clara, de dois anos.
Dividir ou, pelo menos, tentar dividir as atenções é um dos desafios dos pais. Para a psicóloga Mariana Santos de Matos, é importante separar todos os papéis assumidos. Os novos papais não devem esquecer que, antes de serem pai e mãe, eles formam um casal. "É um novo cargo. E esse deve ser dividido com todos os outros. A parte profissional é uma função e, se você tem amigos, é uma outra. As duas devem caminhar juntas. O mesmo deve acontecer com o casal e com os filhos. São dois papéis distintos", compara.
Só que as coisas não são tão simples quanto parecem. A rotina pesada com os cuidados do bebê e o profundo envolvimento da mãe costumam atrapalhar o relacionamento. E a vida sexual é uma das áreas mais afetadas, afinal, haja desejo para manter a chama do sexo acesa em meio a tantos afazeres. "Mãe e filho têm uma relação muito forte desde a gravidez e ela permanece com os cuidados após o nascimento. É natural que a libido diminua, porque o foco da mãe é, naturalmente, a criança. O marido deve entender que as relações sexuais tendam a diminuir", pondera o sexólogo Érico Torres.
Às vezes, é o próprio marido que se contagia pela chegada do filho e esquece dos cuidados com a esposa. No casamento da produtora cultural Maria Cristina Sampaio, o nascimento de gêmeas foi um baque na vida sexual dela e do pai das meninas. "Tinha aquela coisa de mãe, de um ser imaculado. Isso o assustou. Praticamente ficou sem me procurar no primeiro ano das filhas", relembra.
Mas a queda na temperatura da cama do casal tem explicação. A diminuição da libido é estimulada pelas mudanças corporais da mulher, que afetam a sua feminilidade. Fabíola Higino sabe muito bem como a nova silhueta prejudica. "Nos seis primeiros meses é pior. A gente fica insegura, acha que ele não vai gostar mais. Engordar um quilo antes da gravidez não era problema. Já engordar hoje...", lamenta Fabíola. Érico suaviza a questão: "É compreensível que a mulher não se sinta bem com sua sexualidade. Este é um período de muitas transformações, principalmente para ela. Um pouco de paciência e cumplicidade não faz mal a ninguém. Mas é preciso que a mãe não se esqueça dos outros papéis que ela exerce - o de mulher, por exemplo. Ela não precisa se cobrar tanto, mas também não pode deixar isso de lado", sugere.
Apesar de natural a falta de tesão, especialistas recomendam que o período não ultrapasse entre três e seis meses, caso contrário, o ideal é o casal fazer terapia.
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