O Capitalismo, sem dúvida, é conhecido por seus resultados inigualáveis em termos de produção de bens e de consumo. Porém, seus resíduos ambientais e as desigualdades sociais geradas por ele e a partir dele tornam-se, hoje, um problema que ainda poucos desejam ver.
A Carta da Terra, aprovada pela UNESCO em 2000, foi produzida por representantes de vários países do mundo. É uma declaração universal que estabelece princípios fundamentais para uma convivência global justa, sustentável e pacífica.
Desse código ético planetário também participaram Paulo Freire e Leonardo Boff. Estes, sempre preocupados, teórica e praticamente, com a justiça social e com a paz, foram porta-vozes de nosso clamor humano que tem na Terra a sua eternidade.
Temos conversado muito sobre as dificuldades das pessoas com deficiências e de como estas questões se relacionam com os direitos humanos, com o respeito às diferenças individuais de uma forma geral. Ao defendermos os direitos dessas pessoas estamos defendendo o respeito a todas as formas de vida. De nada adiantará seguirmos em frente, defendendo apenas o nosso próprio território, como se ele não fizesse parte de algo muito maior do que eu e você.
É preciso reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
Como já vimos anteriormente, os nossos exemplos são a nossa maior plataforma. Muitas vezes, exigimos que os outros nos "vejam", mas nos esquecemos de que temos que servir de modelo de alteridade para que isso aconteça. Ou seja, temos que "ver" e respeitar os diferentes não só para que também sejamos respeitados, mas para oferecer uma imagem de justiça real e concreta a todos que estão à nossa volta. Hábitos, atitudes e valores entram pelos olhos.
Vivemos num mundo de toma-lá-dá-cá. Cada um defendendo o seu território pessoal. Advogar a causa de uma sociedade inclusiva passa, necessariamente, pelo respeito a tudo e a todos. E o outro é todo aquele que não é você. Você está disposto a defender o direito de todos? Do bêbado ao equilibrista? Pois é, eles somos nós.
Quando você defende os direitos do seu filho ou da sua filha a uma vida cidadã, digna, o faz também para todas as criaturas da Terra. O princípio é o mesmo. Seu gemido no parto é semelhante ao da terra que faz brotar água, borboletas, árvores e gente.
A Carta da Terra manifesta a importância de prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar a subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos àqueles que não são capazes de manter-se por conta própria. Ou seja, a defesa da garantia de oportunidades e recursos para que todos nós, incapacitados física, mental, emocional ou socialmente, tenhamos uma vida digna.
Meu convite hoje é para que você leia, divulgue e coloque em prática a CARTA DA TERRA. Você faz parte dessa família humana. Nós e nossos descendentes somos a TERRA que comemos e pisamos, para sempre. Precisamos, de uma vez por todas, reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.
A Terra, corpo ferido da nossa existência, geme e conclama seu povo para a construção de um novo mundo, de uma vida justa e sustentável para que cada cidadão e cidadã tenham direito à escritura definitiva da PAZ.
Lembre-se, o outro é você. E tudo que vive na terra diz respeito à minha, à sua e à vida do seu filho e da sua filha. Proteger a vida do outro é proteger a nossa vida. Cuidar do nosso planeta é cuidar do nosso futuro.
Leia aqui o texto completo da Carta da Terra. Há ainda uma alternativa de texto para as crianças aqui.
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