Por uma nova educação > Brinque com seu filho
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Por Apprendere • 20/07/2008

Uma boneca, por exemplo, que é dada à criança para brincar o tempo todo sozinha e não perturbar a mãe que tem que fazer os serviço de casa, ler um livro ou fazer qualquer outra coisa que não seja brincar com ela pode ser tão inválida quanto o tempo usado pela mesma criança para jogar no computador. Não se trata aqui do objeto usado, mas como ela está usando e para quê. O valor da brincadeira está no brincar propriamente dito e no que se constrói na brincadeira. Por isso, é tão comum assistirmos crianças pequenas valorizando muito mais o embrulho do presente ou a caixa do que o brinquedo contido nela. Os pais tendem a desconstruir a brincadeira retirando o papel e a caixa da mão da criança para que ela possa se dirigir ao brinquedo propriamente dito.

Ao invés de recriminar a criança que, por exemplo, gosta de joguinhos de computador ou de vídeo-game, procure assisti-la jogando ou jogue com ela

A brincadeira para ela é coisa séria! Brincando, pode re-elaborar situações do dia-a-dia, apreender sobre o mundo e principalmente sobre ela mesma. A brincadeira, portanto, precisa ser respeitada e os instrumentos escolhidos para este fim também. Nenhuma escolha é feita aleatoriamente. No brinquedo escolhido e no modo de brincar reconhecemos a criança que brinca.

Assim como os adultos escolhem seus objetos e as atividades de sua preferência: jogar futebol, ficar deitado assistindo televisão, passar horas lendo um livro, pintando um quadro, escutando música, fazendo jardinagem... A criança também tem direito a fazer escolhas e deve ser respeitada por isso.

Desta forma, não vale desvalorizar o que ela gosta de fazer ou ainda menosprezar a brincadeira em questão. Lembre-se: um papel de presente na imaginação da criança pode ser o que ela quiser ou, se formos mais fundo ainda, pode ser transformado, ainda que nos seus pensamentos, no que ela precisa naquele momento. Certamente, a brincadeira que escolhe é algo que ela gosta muito de fazer. Portanto, ao invés de recriminar a criança que, por exemplo, gosta de joguinhos de computador ou de vídeo-game, procure assisti-la jogando ou jogue com ela.

É claro que crianças estão em formação e precisam da contenção e dos cuidados dos adultos. Cabe a eles organizar o tempo usado para a brincadeira e para as outras atividades que precisam ser feitas. Importante também observar a forma como está usando o "brinquedo" escolhido.

É claro que o computador não é um instrumento tão inocente quanto uma boneca; principalmente com o acesso à Internet. Neste caso, é preciso acompanhar e limitar o que pode acessar de acordo com a sua idade e compreensão.

A tecnologia já faz parte da história atual. Está cada vez mais presente na vida de todas as pessoas. Apesar dos equívocos encontrados em muitos desses "brinquedos", como jogos que valorizam a violência e sites que divulgam assuntos de forma equivocadas ou inapropriadas, para os pais eles podem ser mais um instrumento útil ao desenvolvimento do filho e mais um recurso no qual a comunicação e a diversão entre eles podem estar garantidas.

Mônica Donetto Guedes é psicanalista, psicopedagoga e pedagoga do Apprendere Espaço Psicopedagógico.



Apprendere é uma clínica que reúne psicopedagogas, psicólogas e psicanalistas com experiência no atendimento a crianças, adolescentes e adultos, além de desenvolver pesquisas focando o desenvolvimento do sujeito no campo da saúde mental e educação.  Leia mais deste autor.



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