Palavra X Ação
A importância da sintonia entre o que é falado e o exemplo dado à criança
Por Apprendere • 02/05/2010

Vamos falar de duas importantes questões na formação dos filhos que se interrelacionam. Primeira: os adultos que convivem com as crianças, principalmente os pais, servem de modelo de referência. Segunda: uma ação vale mais que mil palavras. Através da forma como este entrelace é apresentado, a criança irá se construir.


Se de um lado é fato e reação normal do ser humano demonstrar sentimentos e forma de agir a partir de sua vivência, por outro lado temos de ter em conta a intenção e os objetivos da educação, do modelo que estamos transmitindo às crianças.


Nossas ações e reações frente às questões que a vida nos apresenta vão servir de paradigma e referência para os pequenos e se configura nas mínimas situações, desde a forma como nos relacionamos com os amigos, como lidamos com nossos problemas e frustrações até os comentários sobre uma cena da TV. Portanto, todo cuidado é pouco!


Para exemplificar, podemos pensar na situação em que os pais conversam com os filhos sobre a importância de respeitar as pessoas em suas diferenças, ensinam que eles devem se relacionar com todos os colegas da escola, mas após receberem os amigos em casa ficam apontando seus defeitos. Complicado quando o discurso é diferente da prática, pois diante desta incoerência, pode ter certeza, é a ação que tem mais força e não seu lindo discurso.


Podemos também pensar na forma como agimos diante de uma contrariedade ou problema. Ter iniciativa e buscar uma solução viável e saudável? Fugir? Reclamar sem parar? Fazer-se de vítima? Seja qual for sua modalidade de funcionamento, não se espante ao perceber seu filho agindo da mesma forma e, caso não admire sua conduta, pense bem antes de repreendê-lo.


Mais ainda do que a ação, o afeto que passamos ao lidar com as pessoas, com os conceitos e preconceitos vigentes em nossa sociedade é que denotam como nós somos em essência. Cada aspecto e ação nossa é percebido em suas nuances pelos pequenos, que apreendem a nossa atitude frente à vida.


Enfim, somos modelos, não somos perfeitos, mas também não precisamos ser incoerentes. Não estamos falando de precisar ser sempre certinho, de estar sempre preocupado com suas atitudes, aniquilando sua naturalidade, mas de manter a coerência entre o "som e a imagem". Se você chora quando sofre, não diga ao seu filho que é errado chorar. Se o seu próprio modelo não te satisfaz e deseja algo diferente para seu filho, construa então um novo caminho para vocês.


Desta forma, melhor do que pensar antes de agir, é refletir sobre como agimos e como demonstramos a nossa verdadeira atitude, ao invés daquela que pensamos que estamos convencendo as crianças de que é a nossa. Até porque, elas são capazes de enxergar por trás das aparências.


A partir daí então, poderemos pensar em sermos melhores e mais responsáveis, agirmos e reagirmos em consonância em primeiro lugar com o que desejamos e consideramos melhor e mais justo, e as crianças vão apreender e desenvolver uma atitude mais próxima àquela que nós tanto nos esforçamos em transmitir.



Apprendere é uma clínica que reúne psicopedagogas, psicólogas e psicanalistas com experiência no atendimento a crianças, adolescentes e adultos, além de desenvolver pesquisas focando o desenvolvimento do sujeito no campo da saúde mental e educação. 




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