Os pais têm uma importante função em estimular o hábito da leitura, afinal eles são os responsáveis pelo primeiro contato do pequeno com o livro. Já na primeira infância, os pais podem comprar livros de plástico ou pano e apresentá-los ao bebê. "Para a criança, a participação do adulto é essencial. É ele quem deve tornar a leitura interessante e incluir a criança como um participante ativo, fazendo-a interagir com a história por meio de perguntas ou pedindo que reconte a história numa outra situação", revela Ana Maturano.
Mas a função dos pais vai muito além da compra de um acervo de obras. "Para tornar o livro parte do cotidiano da criança, os pais podem levá-la a livrarias, bibliotecas e bancas de jornais. Podem comprar gibis, ler para a criança, presenteá-la com livros e estimulá-la a dar livros para os amiguinhos", diz Ana. Tudo, porém, sem pressão: "Os pais devem levar os filhos para tardes de leitura, bienais, colocá-los em contato com seus escritores preferidos... Mas tudo isso sem cobranças, como uma atividade divertida", ressalta Inês. Ana Maturano reforça que a forma mais natural de fazer a criança gostar de ler é dar o exemplo dentro de casa: "Um adolescente que foi estimulado durante sua vida para o exercício da leitura, que freqüentou livrarias e bienais, de uma maneira positiva, não terá dificuldade em saber o que ler, não só por seus interesses, mas por já estar habituado a atividades do gênero". Somente a partir dos 10 anos, os pais podem deixar essa tarefa, pois a criança já dominará a leitura completamente.
A escola também tem um importante papel no estímulo à leitura. Além de ser o ambiente onde a criança será alfabetizada, é lá que ela passa grande parte do tempo. O descuido de muitas escolas na ausência de programas voltados para a leitura ou mesmo a escolha de atividades erradas contribui para o desinteresse de muitos pequenos. "Muitas vezes as instituições educacionais pecam ao querer dar livros com conteúdo literário aos seus alunos, escolhendo leituras chatas e confusas para eles. A qualidade do conteúdo jamais deve superar o prazer de se ler um livro. Além disso, o livro nunca deve ser associado a um castigo ou punição", diz Ana Maturano. E ela sugere: "Os colégios podem fazer o 'dia do livro', no qual as crianças trocam as obras com os coleguinhas e lêem histórias que escolheram".
Para cada idade
Ler é uma atividade prazerosa, mas a linguagem deve ser simples e acessível. "Não adianta escrever um livro que as crianças não entendem, ou querem desistir depois da segunda página. Escrever não é exibir intelectualidade. O livro infantil deve prender o interesse de quem lê com uma linguagem simples", observa a autora Inês Stanisiere. O melhor, segundo ela, é levar a criança à livraria e deixá-la à vontade para escolher a história com que mais se identifica.
Na hora da compra do livro, preste atenção à sua indicação. As características das obras tendem a mudar conforme o crescimento da criança. "Na primeira infância, os livros com imagens grandes e material resistente, que o bebê vai poder tocar, sãos os ideais. Depois, os livros devem contar com algumas palavras, muitas imagens e cores, e até sons do cotidiano. Para leitores em idade de alfabetização, os textos já são mais amplos e as imagens podem começar a diminuir. Já os adolescentes devem ter contato com um vocabulário mais rico e dinâmico, sem necessidade de ilustrações", explica Mara.
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