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Adaptação à escola
Um guia para as mães ajudarem seus filhotes na adaptação escolar
Por Luana Martins • 27/03/2009

O aguardado dia do filhote expandir os horizontes chegou. O universo familiar dá lugar a novos personagens (professores e coleguinhas) e muito aprendizado. Mas nem só de euforia é feito esse momento: o novo pode causar medo e insegurança. "Ao entrar na escola a criança se depara com um ambiente diferente do que está acostumada, com adultos e crianças que ela nunca interagiu - o que exigirá do pequeno uma grande capacidade de adaptação", revela a professora de psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Maria de Fátima Mendonça Lima.

A entrada do filho na escola é uma grande mudança também na vida da mãe. "Ver-se diante da fantasia de perda do filho ao deixá-lo em uma escola é um fator que gera muita culpa e apreensão", revela Elizabeth Gelli Yazlle, especialista em psicologia escolar. Patrícia Ceraso, mãe de Ítalo (4 anos), sabe bem disso. "No primeiro dia de aula, ele chorou bastante. Ficou na esquina e não queria entrar. Me senti péssima, a vontade era voltar e colocá-lo dentro da minha barriga", lembra.

O que fazer para facilitar a adaptação da criança à escola?

Passo a passo


O primeiro passo é passar uma visão positiva da escola para a criança, controlando qualquer insegurança materna. "Muitos pais depositam na nova professora e na escola o lugar do 'castigo', o lugar 'que vai dar 'limite' à criança, onde ela não poderá brincar. As crianças acabam interiorizando que, além de irem para um lugar desconhecido, estão indo para um lugar de 'perigo', de pessoas ameaçadoras", revela Elizabeth. Por outro lado, "se os pais consideram a escola como um espaço de crescimento, desenvolvimento, socialização, afetos e ludicidade, uma atitude positiva da criança em relação à escola é favorecida", ensina a psicóloga.

Os pais devem conversar com seu filho a respeito de ida à escola, incentivando-a, dizendo que ela irá brincar, aprender, fazer novos amiguinhos

A pedagoga e professora de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), Letícia Nascimento, aconselha: "A família deve acreditar que é bom para seu filho conviver com outro ambiente que não o familiar, com outras crianças e adultos. Deve apostar que as interações entre as crianças trarão novas possibilidades, novos conhecimentos e novas experiências cognitivas".

Segundo os especialistas, o diálogo é a melhor forma de convencer a criança sobre o lado positivo da escola, eliminando sua insegurança. "Os pais devem conversar com seu filho a respeito de ida à escola, incentivando-a, dizendo que ela irá brincar, aprender, fazer novos amiguinhos", ensina Maria de Fátima. A servidora pública Maria Luiza Coutinho (36 anos) seguiu o conselho: "Disse ao Heitor que ele iria para escola brincar, lanchar com os amigos e com as tias, participar de muitas brincadeiras e atividades", relembra. Depois, é hora de levar a criança para conhecer o local. "Através desse contato prévio, a criança irá desfazer ou reduzir suas fantasias sobre riscos e perigos do novo ambiente", argumenta Elizabeth.

O período de adaptação

Para facilitar o processo, algumas escolas oferecem um período de adaptação em que a criança permanece menos tempo na escola durante a primeira semana de aula. Em outros casos, os próprios pais podem permanecer com a criança em recinto escolar. "Quando os pais ficam com a criança em sala de aula, ela adquire um pouco de confiança naquele novo ambiente e nas pessoas que ali estão", afirma Maria de Fátima. Foi o que aconteceu com Maria Luiza: "Por orientação da psicopedagoga, fiquei algum tempo com o Heitor na escola e, aos poucos, fui me ausentando. Ele foi adquirindo segurança e passou a frequentar a escola sem reclamar depois de uma semana". Já Patrícia não acha que essa seja a solução. "Permanecer na escola com a criança atrapalha sua independência. O importante é que ela tenha certeza de que você irá voltar no fim do dia. Então, uma boa dica é nunca se atrasar. Ao ver as outras crianças indo embora, ela pode criar uma insegurança", argumenta.

Jamais minta para o pequeno. "Não se deve dizer para a criança que ficará lá fora se a intenção for ir embora. Os pais devem informar à criança que precisam sair para trabalhar, mas que voltarão para apanhá-la. Sair sem que a criança perceba faz com que ela tenha sua confiança abalada", enfatiza Maria de Fátima. Ainda que esse período de adaptação seja estabelecido pela escola, vale lembrar que ele é individual - cada criança tem seu tempo de internalizar as mudanças.





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