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A profissão do filho
O que seu filho vai ser? A orientação é sua, mas a escolha é dele
Por Apprendere • 27/09/2009

Os pais, muito antes de terem seus filhos, já sonham com eles. Nestes sonhos fazem planos e projetos. Quem nunca se imaginou vendo um filho que ainda nem foi concebido dormindo no colo, vestido com lindas roupas, dando os primeiros passinhos, brincando na pracinha...


Esse processo não tem fim, pois os pais tendem a projetar, ao menos na fantasia, o que esperam dos filhos por toda a vida. Até aqui tudo bem. São esses sonhos que despertam o desejo de ser mãe e pai e é com esses sonhos que se proporciona aos filhos um mundo de possibilidades. Os pais, como os adultos da relação, indicam caminhos. No entanto, não podem caminhar por eles.


As crianças também sonham e fazem projeções: "Quando crescer vou ser bombeiro", "eu vou ser professora", "e eu quero é viajar numa nave espacial", "pois eu, ah, quero pesquisar insetos". A maioria dos adultos que escuta estas afirmações acha graça e as desconsidera dizendo não passarem de "brincadeiras infantis". No entanto, brincadeira de criança é sempre coisa séria e por isso precisa ser considerada. Inclusive no que se refere às primeiras escolhas relacionadas à profissão.

É preciso acompanhar a criança nos sonhos dela e não tentar fazer com que ela realize os nossos sonhos

Como atendo jovens que chegam à clínica em busca de orientação profissional/vocacional percebo o quanto estas primeiras escolhas têm relação com os interesses introjetados ao longo da vida.


É preciso considerar desde sempre o que a criança fala, pois certamente já está mostrando por onde andam as suas identificações, as influências a qual se submete bem como as suas habilidades e competências. Uma criança, por exemplo, que diz que quer ser bombeiro quando interrogada pode nos dar várias pistas sobre o que desta profissão chama sua atenção: "Quero ser bombeiro! Eles apagam fogo e todos juntos salvam vidas, deve ser muito legal entrar na casa e tirar as pessoas de lá". Essa criança nas entrelinhas está dizendo, entre outras coisas, que se interessa por atender pessoas, gosta de atividade que promova ação, de trabalhar em equipe e sem rotina.


Este exemplo mostra como o processo de escolha profissional começa desde muito cedo e que estas experiências infantis são importantes e precisam ser consideradas, ou seja, quando as escolhas da infância relacionadas ao princípio do prazer se transformam em escolhas baseadas no princípio de realidade. O fato de ser bombeiro, no exemplo acima, pode ser descartado pelo jovem, mas os interesses por trás dele serão considerados nesta nova fase.


É preciso acompanhar a criança nos sonhos dela e não tentar fazer com que ela realize os nossos sonhos. O que quero dizer com isso é que não é justo deixá-la crescer com a responsabilidade de ter que se tornar o que a mãe ou o pai não foram ou ainda com a obrigação de dar sequência às atividades profissionais dos pais.


Recebo para orientação profissional/vocacional meninos e meninas que "acreditam" ter que seguir uma determinada profissão que não tem sentido para eles, isto é, no que eles se tornaram ao longo destes anos. Quando conseguem desconstruir esta crença, ótimo, o problema está naqueles que não tiveram espaço para trabalhar estas questões.


Não são poucas as pessoas que conhecemos que são infelizes em suas atividades profissionais e que não conseguem romper, pois se sentem inseguras e com medo de arriscar. Temos ainda o exemplo das que não conseguiram ser bem sucedidas como seus pais no negócio da família ou ainda profissionais liberais que carregam o nome, mas não a competência do seu precursor. Esses exemplos servem para ilustrar que o que vai determinar o sucesso profissional não pode ser designado de fora pra dentro.


É preciso cuidar desde cedo para não interferir de forma autoritária no desenvolvimento das crianças. São filhos e não escravos dos nossos sonhos e planos! Sendo assim podem ter a liberdade de escolha.



Apprendere é uma clínica que reúne psicopedagogas, psicólogas e psicanalistas com experiência no atendimento a crianças, adolescentes e adultos, além de desenvolver pesquisas focando o desenvolvimento do sujeito no campo da saúde mental e educação. 




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