Programe a alimentação da criança

Alimentação saudável não é uma coisa que se adota de um dia para o outro. É ainda na infância que o hábito de comer bem deve ser aprendido. Já se sabe que uma dieta sadia, com muitas frutas, legumes e verduras, traz muitas vantagens para o corpo e para a mente de adultos e crianças: reduzem os riscos de infecções, desnutrição ou obesidade e melhoram o condicionamento físico, a saúde dos órgãos e o desenvolvimento físico de quem ainda está crescendo. Mas nem sempre incentivar uma rotina de refeições com os alimentos adequados é uma tarefa fácil. Para isso, o negócio é investir em pratos criativos e coloridos, idas ao supermercado e brincadeiras na cozinha. Preparada para deixar seu filhote saudável e bem nutrido? Então, coloque a mão na massa!

Durante a infância, o metabolismo está mais acelerado, pois todo o corpo encontra-se em desenvolvimento. Quando hábitos alimentares saudáveis são estimulados nesta fase, o risco de déficit de crescimento, obesidade, anemia e má formação óssea a criança é menor

É de pequenino que se torce o pepino

"A educação alimentar é um processo que deve ser iniciado o mais precocemente possível e mantido e fortificado ao longo da vida. Estimular a criança desde cedo favorece o entendimento sobre os alimentos, já que, durante os dois primeiros anos de vida, ela agrega informações com mais facilidade. Na fase adulta, a mudança de hábito fica muito mais complicada", garante a nutricionista Ana Flor Picolo, membro da Equipe de Educação da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ).

Uma alimentação saudável pode começar com a criança ainda amamentando. Até os seis primeiros meses de vida, o leite materno deve ser alimento exclusivo de suas refeições. "O aleitamento fornece todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê, além de ser responsável por boa parte da defesa de seu organismo e dos movimentos bucais de engolir e sugar", revela Ana. Por isso, não ofereça chás, água, doces ou qualquer outro tipo de alimento nesta fase. Além de exigirem uma forma de sucção diferente, eles podem modificar o paladar da criança levando-a até a recusar o seio da mãe. Somente depois dos seis meses é que outros elementos devem ser introduzidos na refeição do pequeno. Ainda assim, de forma lenta e gradual. Açúcares, café, enlatados, frituras, embutidos, condimentos industrializados, refrigerantes, refrescos artificiais, leite de vaca, balas, salgadinhos e sal devem ser evitados em qualquer idade, mas, sobretudo, nos primeiros anos de vida.

Saúde no prato

Não há dúvidas de que uma alimentação sadia traz vantagens em qualquer idade, mas na infância elas são ainda maiores. Só ela é capaz de promover o correto desenvolvimento físico e mental da criança. "Durante a infância, o metabolismo está mais acelerado, pois todo o corpo encontra-se em desenvolvimento. Quando hábitos alimentares saudáveis são estimulados nesta fase, o risco de déficit de crescimento, obesidade, hipovitaminose, anemia e má formação óssea a criança é menor", conta a nutricionista. Porém, mesmo diante de tantos benefícios, pesquisas demonstram que a adoção de uma dieta balanceada têm sido deixada de lado por muitos pais. "Enquanto, na década de 80, doenças como obesidade, hipertensão arterial, colesterol e diabetes estavam presentes em cerca de 23% das crianças, hoje, esses índices subiram para 40%", alerta o nutricionista Luiz Evaristo Sinicio.

Se você não deseja que seu filho faça parte dessas estatísticas, é bom começar a se preocupar com o que ele anda comendo. "Um prato deve contar com três grupos de alimentos: os energéticos (são os alimentos ricos em carboidratos, como arroz, batata, mandioca, massas e açúcares, e os ricos em gorduras: óleos, azeite, abacate), os construtores (alimentos ricos em proteínas: carnes, leite, ovos e derivados) e os reguladores (alimentos ricos em vitaminas, sais minerais e fibras, que são, basicamente, saladas, verduras, legumes e frutas)", recomenda Sinicio. Já o consumo de guloseimas e alimentos de baixo valor nutricional não deve ser incentivado pelos pais: "Eles até podem fazer parte do cardápio de qualquer criança, mas sob certas restrições e horários para o consumo. O importante é não valorizar estes produtos e nem deixá-los à disposição", aconselha Ana Flor. Portanto, deixe os doces para as festas e fins de semana!

Além de um cardápio balanceado, respeitar os horários das refeições também é fundamental. "O nosso organismo entende o alimento como um 'combustível'; Na infância, gastamos mais energia do que na vida adulta; por isso, devemos comer a cada três ou quatro horas", revela Ana. Além disso, segundo a nutricionista, comer demais e em horários irregulares estimula o depósito de gordura, podendo gerar problemas como diabetes, síndrome metabólica e distúrbios do sono. Para Luiz Evaristo Sinicio, o perigo das refeições irregulares vai mais além e diz respeito, também, às guloseimas fora de hora: "O horário das refeições deve ser respeitado para que as crianças não fiquem a toda hora beliscando, principalmente alimentos não nutritivos", frisa.

Categoria:

Leia também:

Facebook Comments Box