A importância do jogo

Pais devem reconhecer no jogo uma possibilidade de educar os filhos
por Anônimo (não verificado)

Elis Regina, em uma de suas músicas, diz algo que considero uma lição de vida: "Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar...", a música refere-se aos problemas e situações da vida, porém aproveito para traçar relação com o jogo lúdico da criança, ferramenta valiosa para seu aprendizado e desenvolvimento.

As crianças precisam distrair-se, brincar e jogar. Mas será que os pais reconhecem no jogo uma possibilidade a mais de educar seu filho? Pois saibam que se trata de um recurso eficaz, que contribui na formação social, afetiva e cognitiva do pequeno. No jogo, a criança pode aprender a internalizar regras, desenvolver a memória e a atenção, adquirir conteúdos, além de integrar-se com outras crianças e também com a família.

Uma das grandes responsabilidades dos pais é ensinar aos filhos as regras e a importância de respeitá-las para um convívio social saudável

Jogar faz parte da realidade infantil, é uma atividade própria da criança e está centrada no prazer que lhe proporciona, sendo visto por ela apenas como uma brincadeira. Porém, aos olhos do adulto, deve ser visto também com caráter educativo. Não perca a chance de observar como seu filho se comporta durante um jogo, quais são suas reações e sentimentos e transforme este momento em oportunidade para conhecê-lo melhor e ajudá-lo a crescer e a superar suas dificuldades.

Uma das grandes responsabilidades dos pais é ensinar aos filhos as regras e a importância de respeitá-las para um convívio social saudável. Pois bem, você conhece algum jogo sem regras? Todo jogo traz no verso de sua caixa ou em um folder seus objetivos e regras, que devem ser conhecidas por todos os participantes. Até podem ser modificadas, contanto que em comum acordo por todos, pois as regras são a base da brincadeira.

Deixe a criança caminhar sozinha, não dê palpites durante sua jogada. Afinal, este é um excelente exercício de autonomia e reflexão

Algumas crianças, porém, manipulam as regras em benefício próprio. Muitas vezes, o próprio grupo enquadra o colega que quer desrespeitá-las fazendo-o perceber que não pode ser do seu jeito. Em outros momentos, os pais podem intervir, fazendo o pequeno pensar sobre sua atitude e o que está por trás dela. Vale observar que este comportamento é próprio da criança que não "sabe" perder, que lida mal com frustrações.

Algumas vezes, são os próprios pais que, ao jogarem com seus filhos, sempre "dão um jeitinho" para que eles ganhem. O que se está ensinando a eles? Que não são capazes de ganhar! Que perder é errado e depreciativo. Não esqueçam que nossas ações são recheadas de mensagens implícitas, portanto, vale a pena rever o que está ensinando ao seu filho. Perder também faz parte do jogo e é um aprendizado importante para a vida.

Ajude seu filho a perceber qual é a sua dificuldade, se é falta de atenção ou de conhecimento. O importante é que sempre pode haver outra chance de jogar e superar-se. Deixe a criança caminhar sozinha, não dê palpites durante sua jogada. Afinal, este é um excelente exercício de autonomia e reflexão.

Seja qual for o jogo, o maior aprendizado que se tira dele é o respeito a si próprio e ao outro, independente de ganhar ou perder. Voltando à música de Elis Regina, o mais importante é o processo, são as habilidades emocionais e cognitivas aprendidas ao longo do jogo, não necessariamente seu resultado. O jogo representa um pequeno recorte da vida, na medida em que contém elementos do cotidiano. O comportamento do seu filho no jogo é reflexo de quem ele é. Portanto, o momento em que a criança está jogando pode ser mágico e precioso. Aproveite!

Márcia Mattos é psicóloga do Espaço Apprendere.

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