A fase anal

No primeiro ano do bebê os pais ficam envolvidos a maior parte do tempo com questões referente à alimentação, desde a amamentação até a inclusão dos outros alimentos. Já vimos no artigo anterior como a fase oral é importante e como esse primeiro ano de vida privilegia a boca como uma zona erógena. No entanto, a partir dos dois anos de idade, ainda que a criança dê importância à zona erógena bucal, outra zona aparece com maior importância: a zona anal.

Para a criança é muito prazeroso perceber que tem o poder de controlar, reter as suas produções. Como já tem um maior desenvolvimento neuromuscular, ela usará como uma brincadeira a retenção das fezes e da urina. Esse processo não se esgota a esse período inicial podendo se estender até a fase adulta.

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Essa produção é usada pela criança como uma forma de comunicação: pode expressar um presente quando, no treino de toalete, ela aceita os cuidados da mãe e os seus pedidos para usar o troninho – uma recompensa em função de uma harmonia entre ela e a mãe. Ao contrário, a recusa em submeter-se ao pedido da mãe pode ser entendida como uma punição da criança por sentir o ambiente como desagradável.

A criança através da relação com a mãe aprende a renunciar as experiências tais como: expulsar os excrementos em determinadas horas, deixá-lo sair de forma espontânea sem a preocupação com a higiene, brincar com suas fezes. A criança não faz a renuncia porque compreende, por exemplo, o horror que as fezes causam ao adulto. Ela incorpora os gestos e as palavras, mas não introjetou o sentido que o adulto dá às suas produções. Ex: o abano das mãos sobre o nariz designando mau cheiro.

Por que a criança renuncia a um prazer? A renuncia se dá em troca de algo que também lhe ofereça prazer. O fato de se identificar com as pessoas que dela cuidam não será suficiente. Ela precisará de outros objetos de investimento. Ela irá buscar substitutos para deslocar os seus afetos. Como isso acontece?

A criança muitas vezes elege objetos que só ela pode manusear. Esses objetos (brinquedos) podem ser amados e odiados por ela. Pode querer um dia ficar com eles e no outro jogá-los fora, da mesma forma como fazia com seus excrementos. Outra forma de elaborar essa fase são as brincadeiras: com bolinhas úmidas de areia, brincadeira na lama, gostar de se sujar. Os pais precisam ficar atentos para os excessos quanto ao treino de toalete e até mesmo ao que se refere ao excesso de higiene em geral.

Uma educação favorável permite à criança encontrar os substitutos para as suas produções fecais. A criança precisa viver essas experiências e a forma como os pais lidam com o controle da higiene facilitará ou dificultará o desenvolvimento sadio de uma criança: seus relacionamentos futuros e a sua relação com o próprio corpo. Pode um adulto que tenha sublimado seu interesse pelas suas produções fecais se tornar um pintor, escultor, lidar com funções onde haja o manuseio do dinheiro. Pode tornar-se ainda possessivo e mesquinho, isto é, desejar um controle extremado que trará prejuízos quanto a forma de viver e amar.

Como a criança geralmente cede porque teme perder o adulto pela qual se sente subjugado e como tem medo de perder o seu amor, sabe como se tornar "bonzinho" o suficiente para atender aos seus desejos. Para a criança ser "bonzinho" é ser passivo e sem curiosidade. Compreensão essa que levará para a sua vida e influenciará nas mais variadas formas de relacionamento. Sendo assim, cabe aos pais pensarem no modo de educação que imprimem na criança desde essas primeiras experiências.

É importante lembrar que o que do ponto de vista biológico são apenas excrementos, as fezes, do ponto de vista afetivo e emocional, são as primeiras produções da criança. O que pra ela vale ouro!

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