Aos cinco meses de gestação, o bebê, ainda no útero, já é capaz de perceber ruídos que, segundo os especialistas, o capacita a reconhecer a voz da mãe e do pai depois do nascimento. Ao chegar ao mundo, ele se depara com um universo enorme de mistérios para desvendar. São muitos lugares para ver, objetos para sentir e sons para ouvir – os cinco sentidos são ainda mais importantes nesta fase. No entanto, a cada mil crianças que nascem, até três podem vir ao mundo com surdez. E este número aumenta para seis no caso de prematuros.
As implicações de uma perda auditiva na infância são muito graves, já que o próprio aprendizado da linguagem e da fala fica prejudicado. Quando descobertas há tempo, muitas perdas auditivas podem ser revertidas ou mesmo curadas sem nenhuma conseqüência séria para o desenvolvimento do pequeno. “Até os seis meses de vida, as deficiências auditivas podem ser tratadas sem prejuízos para a linguagem. Entretanto, o que ocorre é que a maioria dos pais só percebe a surdez quando nota que o filho, já com três ou quatro anos de idade, não fala”, revela Nara Lígia Luchi, fonoaudióloga da AudiCenter, em São Paulo.
Uma das maiores conseqüências da perda auditiva se dá no desenvolvimento da linguagem. Como a criança se encontra em um período de aprendizado, tudo que ela recebe de sons é de extrema importância
Ele não fala. E agora?Para muitas mamães, o primeiro sinal de que algo com o pequeno não vai bem vem com a demora das primeiras palavras. “Uma das maiores conseqüências da perda auditiva se dá no desenvolvimento da linguagem. Como a criança se encontra em um período de aprendizado, tudo que ela recebe de sons é de extrema importância”, afirma Nara. Quando a descoberta é feita nesse período de maturidade da criança, porém, já pode ser tarde demais!
Em muitos casos, a deficiência auditiva pode ser revertida. “Alterações do ouvido médio são reversíveis com tratamento clínico e cirurgias, assim como algumas má formações. Tudo dependerá do grau de alteração do sistema auditivo”, esclarece Antônio Douglas Menon, otorrinolaringologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante: “Quanto mais cedo os problemas auditivos forem detectados, maiores as chances de uma reversão ou menores os impactos no desenvolvimento dessa criança”, confirma Antônio.
Teste da OrelhinhaVocê já ouviu falar em “triagem auditiva neonatal”? Também conhecida como “teste da orelhinha”, é um exame realizado ainda na maternidade que serve para detectar o funcionamento do ouvido. “Uma sonda que emite som de baixa intensidade é colocada no ouvido do bebê. Se a criança não apresentar nenhum grau de surdez, seu sistema auditivo irá responder com um sinal capaz de ser captado por essa sonda e mostrado no computador”, explica Nara. Ele é indolor, rápido – dura em torno de dez minutos – e deve ser realizado com o bebê dormindo. “Para que o teste tenha sucesso, a criança não pode chorar nem se movimentar muito. Portanto, a hora do sono é ideal”, complementa a especialista.
Mas os médicos alertam: só o teste da orelhinha não é suficiente. “A triagem auditiva não dá o grau de perda da audição nem aponta a causa”, observa Nara. Por isso, outros exames mais sofisticados também devem ser considerados. “São eles que irão mostrar o local exato e o grau da perda”, acrescenta a fonoaudióloga. E Antônio completa: “Detectada a perda auditiva, a criança deve ser levada para um serviço de otologia infantil e ser reanalisada, através de avaliações clínicas e instrumentos com imagem, dependendo da lesão”. Se houver casos de surdez na família, a criança deve ser acompanhada durante todo o primeiro ano de vida, pois pode desenvolver uma perda auditiva nesse período.