"Justamente por causa do medo ao ter meu primeiro filho, acho que me tornei uma pessoa muito ‘chata' na época. Isso era ruim. Meu ex-marido reclamava da minha insegurança e da minha ‘chatice'. Tanto, que a primeira mamadeira da minha filha, quem fez foi ele", relembra Maria Angélica.
Um caso parecido foi o da florista Maria Helena Dias. "Eu tive depressão pós-parto mas, ao invés de não conseguir olhar para a cara do meu filho, eu era uma mãe exageradamente presente. Não deixava ninguém colocar a mão nele, nem minha mãe. Eu ficava tão louca querendo passar cada segundo ao lado do bebê, que simplesmente esquecia de dar atenção ao meu marido. Nem cozinhava mais para ele. Eu fazia a comida do bebê e comia também. Ele não agüentou o tranco e acabou pedindo a separação. A minha sorte foi que minha irmã percebeu o problema e me sugeriu tratamento psiquiátrico. Depois de alguns meses eu voltei ao normal e meu casamento voltou a ser ótimo, como antes. Hoje, minha família está em perfeita harmonia", conta.
Uma dica da Dra. Cynthia para manter a harmonia no lar é privilegiar a relação mãe-bebê, mas lembra: "Para que a mulher cuide bem do filho, ela precisa ser cuidada pelo marido e pelos familiares. O casal deve levar em consideração que após o nascimento de uma criança, a vida muda, mas deve mudar para melhor. É claro que surgem novas dificuldades, mas elas podem (e devem) ser solucionadas com o apoio da família."
A harmonia dentro de casa é benéfica a todos, e com certeza o bebê também vai se sentir bem e amado. "Para manter a mente saudável a mulher precisa, antes de qualquer coisa, estar em paz consigo mesma", complementa Dra. Cynthia.
Quando as mães precisam de ajuda
Já que toda a família deve ajudar a cuidar do bebê e da mãe, é importante que todos saibam como identificar quando a mulher não está conseguindo enfrentar os problemas da recente maternidade.
Se ela tiver passado por situações que são consideradas agravantes, como a perda de apoio familiar (quando ocorre uma briga com o parceiro ou com uma presença feminina importante), dificuldades financeiras acentuadas, complicações na gravidez ou no parto, ocorrência de aborto anteriormente, luto durante a gestação ou pré-existência de doenças psiquiátricas, os cuidados devem ser redobrados.
A Dra. Evanisa descreve alguns aspectos que podem ajudar nessa identificação, apesar de os casos mais freqüentes serem os de depressão leve e moderada, que são também os mais difíceis de serem identificados. "Muitas vezes, estes diagnósticos apresentam-se sob a máscara de queixas somáticas, que tendem a piorar ao longo dos anos, os quais teriam melhor prognóstico se identificados precocemente. Já as depressões graves apresentam presença de idéias suicidas, desânimo e lentidão que perturbam as funções de mãe. Outro sintoma é uma relação conflituosa com o parceiro. Ver uma mãe que se ocupa integralmente do filho, não dividindo os cuidados com ninguém, nem com parentes ou com uma babá, também é um indicativo que ela pode estar sofrendo de um quadro depressivo", segundo a psicóloga.
O comportamento do bebê também pode indicar problemas na relação mãe-bebê, por isso deve ser constantemente avaliado. "É preciso ficar atento a se a criança apresenta distúrbios psicossomáticos recorrentes, distúrbios do sono e do apetite, retardo do desenvolvimento ou do crescimento ou um temperamento que seja considerado ‘difícil'", afirma.
Como ajudar
Se você conhecer alguma mulher que apresente um desses sintomas e teve filho há pouco tempo, é importante fazê-la saber que existem atendimentos tradicionais, como tratamento psicológico individual e medicação anti-depressiva que podem ajudar a acabar com os seus problemas. "Atualmente, o tratamento em psicoterapia breve pais-bebê tem apresentado excelentes resultados. Neste tipo de intervenção trabalha-se na sessão com a família, incluindo o bebê. Consegue-se, desta forma, alterar tanto os sintomas das mães quanto os do bebê. Por ser uma intervenção pontual, consegue-se, em poucas sessões, uma melhora do quadro geral. O custo, também por sua brevidade, é menor que o de tratamentos convencionais de longa duração. Além disto, este é o período considerado mais adequado para a realização de intervenção pela Organização Mundial de Saúde", comenta Dra. Evanisa.
Assine nosso RSS