Bebê prematuro

Prevenir o parto antecipado é o melhor para garantir a saúde do bebê
por Redação Bebê

Toda mãe quer que o seu bebê venha ao mundo forte, saudável e dentro do tempo certo de gestação. Mas alguns apressadinhos podem dar o ar da graça antes da hora. Para a tranquilidade dos pais, o avanço da medicina já permite a sobrevivência de muitos bebês prematuros. No entanto, prevenir o nascimento antecipado é fundamental para garantir a saúde do pequeno.

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"É difícil estimar as chances de não ocorrer nenhuma sequela em bebês prematuros. As pessoas acham que a medicina consegue salvar os bebês o quanto antes. Mas não podemos esquecer que permanecendo mais tempo no útero materno, menores são as chances de complicações para a criança", afirma Renato Sá, chefe do Centro Pré-Natal de Diagnóstico e Tratamento (CPDT) da Perinatal da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Lutando pela vida

Independentemente do peso, o bebê é considerado prematuro quando nasce antes da 37ª semana de gestação. Se sua idade gestacional for inferior a 32 semanas, ele é considerado prematuro extremo. Graças ao avanço tecnológico, a sobrevivência de bebês cada vez menores e mais novos tornou-se possível. Ficou famoso em todo o Brasil o caso do pequeno Arthur, que chegou ao mundo no dia 4 de agosto de 2005, na Clínica Perinatal. Devido ao quadro de hipertensão arterial da mãe, Arthur, que ficou conhecido como o menor bebê brasileiro, nasceu com apenas 355 gramas e 23 centímetros.

No entanto, mais do que uma questão de tecnologia, a sobrevivência desses bebês depende muito das condições em que chegaram ao mundo e de suas idades gestacionais. "De acordo com a Academia Americana de Pediatria e o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, para um recém-nascido ter chances de sobreviver, ele deve nascer com, no mínimo, 24 semanas e 400 gramas", afirma Graziela Lopes Del Ben, neonatologista da UTI Neonatal do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. A partir da 28ª semana gestacional, a chance de sobrevivência já é superior a 80%.

Além da luta pela sobrevivência, o maior desafio dos bebês prematuros é ir para casa sem nenhuma herança desse nascimento antecipado

Com organismo ainda frágil e imaturo, o bebê prematuro deve permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital onde uma equipe multidisciplinar de profissionais (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros) e aparelhos de última geração possibilitarão o seu desenvolvimento seguro. A incubadora é a primeira parada obrigatória. "É ela que reproduzirá artificialmente o útero materno para que o bebê acabe de se formar adequadamente", explica Renato.

"Como o prematuro tem dificuldade de controle da temperatura corporal, a incubadora mantém essa temperatura (em torno de 36ºC), diminuindo a perda de calor (hipotermia), a desidratação e os gastos energéticos do bebê", complementa Graziela. Por lá, o pequeno permanecerá de 40 a 96 dias até que atinja cerca de dois quilos, adquira sucção suficiente para as mamadas e controle sozinho sua temperatura corpórea.

Alguns exames realizados nesse período verificam como anda a saúde da criança. "Dentre eles, os mais rotineiros são: o ultrassom de crânio e de rim, o teste de fundo de olho e a triagem auditiva. O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento do bebê também é feito medindo-se, diariamente, seu peso e estatura e, uma vez por semana, seu perímetro cefálico (volume que o cérebro ocupa)", afirma a neonatologista. Outros exames podem ser solicitados dependendo da necessidade da criança.

Prevenindo o parto prematuro

Além da luta pela sobrevivência, o maior desafio dos bebês prematuros é ir para casa sem nenhuma herança desse nascimento antecipado. "O risco de sequelas é inerente à prematuridade. Quanto mais tempo permanecem no útero materno, maiores as chances de um crescimento saudável. Bebês com idade gestacional superior a 32 semanas e peso maior que 1.500 gramas têm risco menor de seqüelas orgânicas ou funcionais", revela Graziela. "Dentre as consequências mais comuns do nascimento antecipado estão as hemorragias intracranianas, as dificuldades respiratórias, paralisias cerebrais, déficits de atenção, hiperatividade e distúrbios de linguagem", revela a especialista.

O uso de álcool, fumo, drogas, histórico de parto prematuro no passado e gravidez gemelar são outros fatores de risco que podem levar à prematuridade

A permanência por longo período na incubadora pode acabar trazendo alterações e deficiências auditivas e visuais à criança. "Isso ocorre por conta do ruído da incubadora, o uso de determinados antibióticos e diuréticos e a administração de oxigênio", explica Graziela. "Ocorre que nenhum procedimento médico é isento de riscos. Então, o que os médicos fazem, a todo o momento, é fazer um balanço dos riscos e benefícios dos tratamentos para a criança", justifica Renato.

Como os prematuros não estão isentos desses riscos, prevenir a prematuridade é a melhor forma de garantir a saúde do bebê. Mas quais fatores estão associados à antecipação do nascimento? "Em geral, destaca-se a infecção urinária, congênita ou pelo estreptococos do grupo B, a placenta prévia, o deslocamento de placenta, a hipertensão arterial, o diabetes melitus ou gestacional. O estresse e a ansiedade, como estímulo extra, também podem colaborar para o trabalho de parto prematuro", alerta Graziela.

O uso de álcool, fumo, drogas, histórico de parto prematuro no passado e gravidez gemelar são outros fatores de risco que podem levar à prematuridade. "A gemelaridade aumenta o risco de nascimento prematuro uma vez que está associada a complicações maternas como diabetes, hipertensão arterial, anemia, hemorragias e implantação errada da placenta", justifica a neonatologista. "Estima-se que a cada feto a mais dentro do útero, o nascimento é antecipado em duas semanas", acrescenta Renato.

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