Doenças de criança

Doenças infectocontagiosas acomentem as crianças e preocupam as mães
por Redação Bebê

Catapora, caxumba, meningite, poliomelite, rubéola e sarampo. Famosas como doenças infantis nos tempos de nossas avós, devido à sua alta incidência entre crianças quando a vacinação não era prática regular, essas doenças infectocontagiosas que podem deixar graves sequelas continuam a atemorizar os pais, em virtude de falta de informação ou prevenção.

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Mas, desde que haja imunização correta, não há razão para temor, na opinião do Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Eitan Naaman Berezin. O pediatra inicialmente afirma ser um equívoco técnico a expressão doenças infantis, segundo ele, em desuso há décadas, já que mesmo os adultos podem ser acometidos por elas.

A vacina contra catapora tem algumas falhas e não faz parte do calendário oficial do governo. Como deve ser paga, a esmagadora maioria da população não se vacina e acaba contraindo a doença

Dr. Eitan tranquiliza que tais doenças estão sob controle ou praticamente erradicadas no Brasil, caso do sarampo e da poliomelite, cujas vacinas se demonstraram bastante eficazes. "No Brasil, a vacinação é bem difundida. No campo da imunização, é preciso adesão em massa da população. Quanto mais pessoas vacinadas, melhores são os resultados", explica Eitan Berezin.

A não adesão maciça a certas vacinas justificaria os casos de contágios em crianças já imunizadas contra a doença correspondente, ainda que em sua forma mais branda. É o que ocorre, por exemplo, com a catapora, que se exterioriza pela erupção de pequenas bolhas pelo corpo. "A vacina contra catapora tem algumas falhas e não faz parte do calendário oficial do governo. Como deve ser paga, a esmagadora maioria da população não se vacina e acaba contraindo a doença", ilustra o membro da SBP.

Parece mas não é

De acordo com o médico, algumas vezes também os sintomas das doenças eruptivas típicas - catapora, sarampo e rubéola - podem ser confundidos, levando os pais a acharem que seus filhos as contraíram, mesmo vacinados contra elas, quando na verdade desenvolveram outras moléstias, menos comuns e mais leves, como eritema infeccioso e exantema súbito. Nestas duas enfermidades, para as quais não há vacinas, a evolução não apresenta complicações e as manchas vermelhas que surgem duram poucos dias.

Quem são elas

O sarampo e a rubéola, conhecida por sarampo de três dias, são confundidos e, assim como a catapora, apresentam febre alta. Sua imunização ocorre pela vacina SCR, que também protege contra a caxumba (inflamação das glândulas salivares que em casos severos evolui para inflamação de testículos e ovários). O sarampo se caracteriza por fotofobia, secreção nos olhos e nariz, além de inflamação na garganta, tosse rouca e seca e, raras vezes, pneumonia. Na rubeóla, mais benigna e menos frequente, aparecem gânglios no pescoço, nuca e atrás das orelhas e a difusão de manchas vermelhas é mais rápida. Se contraída no primeiro trimestre da gravidez, pode ser grave para o feto, acarretando abortos ou más formações. Por exame de sangue, as mulheres devem confirmar se a contraíram e, se preciso, se vacinarem.

O presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria ressalta que o sarampo praticamente desapareceu mas que, nos últimos anos, tem se verificado uma maior incidência da rubéola. "Estão ocorrendo alguns casos predominantemente nos adultos jovens, ou por que não foram vacinados ou por terem tido diminuição em seus anticorpos, talvez as vacinas não fossem tão eficazes quanto as de hoje", explica Eitan Berezin.

A catapora ou varicela (nome também da vacina, devido a semelhanças com a varíola, erradicada no mundo) é mais facilmente identificável. As lesões provocam intensa coceira e surgem sob a forma de pequenas bolhas que se transformam em crostas, o que pode, em casos graves, levar cerca de vinte dias e deixar marcas na pele e seqüelas neurológicas, embora raras, quando acometem bebês, crianças imunocomprometidas ou adultos.

Gotinha mágica

Em relação à poliomelite - no passado responsável por sérios danos neuromotores como a paralisia dos membros inferiores - os pais que imunizam seus filhos podem dormir sossegados. A doença encontra-se absolutamente extinta no país, onde são rotinas os Dias Nacionais de Vacinação, que conseguem atingir crianças de diversas camadas sociais. "A vacina contra a pólio recomendada pelo governo é a oral, mas também pode ser administrada a vacina inativada", afirma o pediatra Eitan Berezin, lembrando que os pais mais cautelosos podem aplicar as duas vacinas (oral, com vírus vivos, e inativada, com vírus mortos), sem quaisquer reações adversas.

O perigo da meningite

Quanto à meningite - inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro -, ao que parece, ainda há razões para receios. A doença pode decorrer de diversos vírus e bactérias, mas para apenas três destas (haemophilus tipo b, pneumocócica e meningocócica) existem vacinas próprias. Somente a anti-haemophilus está disponível na rede pública de saúde, conjugada com difteria, tétano e coqueluche, pois integra oCalendário Oficial de Vacinação , que não inclui vacinas contra as duas outras bactérias transmissoras e contra a hepatite A, a catapora, a influenza (tipo de gripe) e o HPV, recomendada para meninas. Para cobrirem eventuais lacunas do governo, os pais mais precavidos devem consultar também o Calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Além da cobertura vacinal - cuja maior novidade foi a imunização maciça contra o rotavírus a partir de 2006 - dois cuidados básicos para afastar as doenças infecto-contagiosas, em especial dos bebês, são recomendados pelo pediatra do Departamento de Infectologia da SBP: "Em primeiro lugar, deve haver um incentivo muito grande a se lavar as mãos, principalmente em escolas e hospitais. Outra coisa, quase impossível nos dias de hoje, é se evitar os locais de muita aglomeração, como os shopping centers", aconselha Eitan Berezin.

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