Distúrbios da ansiedade > Outros fatores determinantes
Por Cláudio Crispi • 06/11/2009
Níveis elevados de estresse psicológico e ansiedade também estão relacionados ao aumento da resistência da artéria uterina, o que diminui o aporte sanguíneo para o feto. Há ainda a associação com diminuição do tempo da gestação e baixo peso ao nascimento, o que pode trazer complicações para a criança na vida futura, como patologias cardiovasculares.
Também estão relacionados com déficit de atenção, problemas no desenvolvimento motor e distúrbios de temperamento da criança, futuramente. Um estudo demonstrou o risco dobrado para o desenvolvimento de hiperatividade em filhos de mães que desenvolveram distúrbios da ansiedade durante a gestação.
Já está demonstrado que as mães que amamentam o filho apresentam maior redução dos sintomas de ansiedade e depressão, quando comparadas àquelas que usam mamadeira. A melhora nestes sintomas foi observada em algumas mães imediatamente após a amamentação ao seio, o que não ocorreu quando outras mães usaram mamadeira ou, simplesmente, seguraram o bebê ao colo.
O tratamento de transtornos da ansiedade se baseia em dois métodos: psicoterapias e farmacológico. Cada paciente deve ser avaliada individualmente, assim como o risco-benefício do uso de medicamentos antidepressivos, benzodiazepínicos, entre outras classes de drogas usadas para tratamento dessas desordens, visto que grande parte deles podem trazer riscos para a gestante ou o feto.
Outra grande dificuldade é diferenciar a ansiedade/estresse fisiológicos com patológicos, fato este que dificulta a decisão de uso de medicamentos ou apenas tratamento com terapia para estas gestantes.
Antes de pensarmos em tratar a gestante frente a um distúrbio desses, devemos lembrar que uma gravidez planejada e desejada pelo casal, ambiente familiar e social agregante para a gestante, acompanhamento pré-natal adequado e multidisciplinar (obstetra, psicóloga, nutricionista), são fatores que melhoram a qualidade de vida durante a gestação e diminuem as dúvidas e medos frente a este momento especial na vida de qualquer mulher.
Cláudio Crispi é ginecologista, coordenador geral da pós-graduação em videoendoscopia ginecológica do Instituto Fernandes Figueira (Fundação Oswaldo Cruz), 2º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Videocirurgia (SOBRACIL), autor do Tratado de Videoendoscopia Ginecológica (Atheneu, 2007) e membro da AAGL (American Association of Gynecologic Laparoscopists)