Assim como a época em que o exame de rastreio deve ser feito é controversa, o exame que deve ser feito para diagnosticar também é. Resumidamente, o que se adota na prática como critérios para o diagnóstico de diabetes é: sintomas de diabetes associados à glicemia medida ao acaso maior ou igual a 200 mg/dL, ou, glicemia medida no jejum maior ou igual a 126 mg/dL, ou, glicemia medida duas horas após teste de tolerância à glicose maior ou igual a 200 mg/dL.
A importância desta doença é a grande quantidade de complicações que ela pode levar tanto para a gestante, quanto para o feto e posteriormente para o neonato. Como exemplos de complicações para a gestante há: aumento do número de infecções urinárias, aumento da incidência de candidíase vaginal, aumento da chance de desenvolver pré-eclâmpsia (hipertensão específica da gestação), entre outras.
Sabe-se que aumentam os riscos de abortamento; morte fetal tardia (acomete 1% das gestações de mães diabéticas), com óbito fetal em torno da 35ª semana; além das alterações do volume de líquido amniótico, um exemplo disso é o fato de que 25% das gestantes diabéticas desenvolvem polidramnia (aumento de volume do líquido amniótico), o que pode levar a outras complicações.
Diversas complicações para o feto decorrem do diabetes gestacional e do seu controle inadequado. Pode ocorrer prematuridade, sofrimento fetal, macrossomia (peso do feto maior que 4 kg), porém uma das complicações mais temidas pela gestante e que ocorre muito mais freqüentemente nas diabéticas são as anomalias congênitas, podendo atingir até 10% das grávidas com essa doença, sendo até seis vezes mais comuns nestas pacientes.
Após o nascimento, o neonato pode, ainda, sofrer com as alterações que as altas taxas de açúcar no sangue materno levavam. A mais comum das complicações é a hipoglicemia neonatal. Importante salientar que tanto a mãe, quanto o bebê, após o quadro de diabetes gestacional, possuem chance aumentada de desenvolver esta doença posteriormente: 50% e 30% de chance, respectivamente.
Há várias condutas terapêuticas possíveis, que são individualizadas para cada paciente, de acordo com o grau de intolerância à glicose e glicemias dosadas. Existem restrições dietéticas que variam pelo estado nutricional da paciente e recomenda-se atividade física regular para todas as gestantes.
As drogas usadas para tratamento do diabetes de uma paciente não grávida (os hipoglicemiantes orais), em sua maioria, são proibidas na gestação pelos riscos de alterações metabólicas e má formações fetais. Assim sendo, mesmo em pacientes com diabetes prévio faz-se a opção de insulinoterapia durante a gravidez, essa mesma terapêutica é utilizada nos casos necessários de diabetes gestacional.
Esta doença não é indicação de cesariana, pacientes bem controladas e disciplinadas podem levar uma gestação com ótimo controle metabólico e sem intercorrências. Contudo, algumas complicações podem fazer com que seja necessária a interrupção da gravidez.
É imprescindível o conhecimento desta patologia, assim como o seu acompanhamento rígido, para que medidas corretas de controle glicêmico e algumas avaliações clínicas específicas sejam adotadas. É importante também uma avaliação completa e controle glicêmico periconcepcional prévios das mulheres diabéticas que desejam engravidar, para diminuir os riscos de abortamento e má formações.
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