Campo X cidade > Prós e contras
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Por Luana Martins • 24/06/2009

Os sonhos de Eloísa foram encontrando muitos obstáculos no caminho. "Foi muito difícil me adaptar ao trânsito e aos custos de vida que, em uma cidade como São Paulo, são enormes. O que gasto com a escolinha da Ana, sua saúde e saídas no shopping para lanche e cinema consomem grande parte do meu salário", confessa Eloísa. Apesar de não ter conseguido o emprego ideal, ela garante que a mudança não foi totalmente negativa. "Hoje ganho três vezes mais do que o emprego que tinha em Lavras e sei que posso oferecer uma educação melhor para a minha filha e mais oportunidades culturais e de lazer", pondera.

Para driblar a saudade da família e a falta de opções de lazer, Viviane conta com as reuniãozinhas em casa

Para Viviane, a adaptação foi um processo menos traumático. "Nós adultos sentimos mais a mudança. As meninas se adaptaram muito bem, tanto pela facilidade que têm de fazer amizades quanto pelo fato de serem crianças. Uma tarde na pracinha já é suficiente para completar o fim de semana delas com pura perfeição", confessa Viviane. A educadora física vê mais prós do que contras nessa guinada de vida. "Nas cidades pequenas temos qualidade de vida e tempo. A violência praticamente não existe. As pessoas são mais prestativas e acostumadas a estar sempre nas casas das outras. Não há medo. As crianças podem fazer várias atividades diárias como inglês e balé, pois tudo é muito perto", enumera Viviane.

Para driblar a saudade da família e a falta de opções de lazer, Viviane conta com as reuniãozinhas em casa: "Fazemos quitutes, reunimos os amigos e confesso: nos divertimos com isso", revela a nova "cariúcha" que diz nem sentir mais falta dos shoppings. "Aqui há lojas maravilhosas com produtos incríveis e a preços muito menores", justifica.

Eloísa, por outro lado, aponta o lado bom da grande cidade: "A vida é muito mais diversificada. No fim de semana sempre fazemos algo diferente e, além disso, as pessoas não ficam tomando conta do seu dia a dia, sabendo todos os seus passos e fazendo deles motivo de fofoca na vizinhança", justifica a advogada.

Quanto à educação das crianças, a nova 'paulistana' está muito satisfeita. "É verdade que preciso gastar mais com a escola da Ana porque o ensino em São Paulo não é barato, mas fico tranquila porque tenho certeza que ela terá mais chances de fazer uma boa carreira profissional", garante. Mas Viviane desmistifica que a educação no interior seja ruim: "Isso não é verdade. A escola das meninas é maravilhosa e elas usam o método positivo de ensino que é usado e reconhecido no Brasil inteiro", enfatiza.

No fim do ano, o marido de Viviane será transferido para uma outra cidade do sul, mas as pequenas não gostaram da idéia. "Elas já se adaptaram e a mais velha, então, nem gosta de falar no assunto", admite a educadora física. Diante de uma proposta de voltar para a grande cidade, Viviane nega sem titubear: "Não voltaria tão cedo. Cidades pequenas são lugares ideais para criar nossos filhos longe da loucura das grandes metrópoles. Temos mais chances de conhecer as pessoas, de fazer grandes amizades, comemos melhor, o custo de vida é mais barato, o que acaba nos tornando 'gente importante'. E temos mais oportunidades de sermos reconhecidos e valorizados profissionalmente, afinal, você não é um em um milhão".

Eloísa também não pretende desistir da metrópole tão cedo. "Minha filha é muito nova, tem muito a conquistar pela frente. Pode ser que no futuro, quando ela estiver bem empregada e eu aposentada, decida voltar. Talvez aí busque a tranquilidade das cidades interioranas. Por enquanto, quero atividade. Quero lutar pelos meus sonhos e os de minha filha", finaliza.

E você? Trocaria as cidades grandes pelas pequenas ou vice-versa? Por quê? Conte para nós!



Luana Martins  



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