Elas sonhavam em ser mães, mas não planejavam a maternidade para o momento. Jovens, tinham toda vida profissional e afetiva para estabilizar. Mas quando o período certo para encomendar a cegonha chegou, algo inesperado as pegou de surpresa: a menopausa. Ainda que seu aparecimento seja esperado pelas mulheres - após os 50 anos - ela pode dar as caras bem antes, trazendo consigo um turbilhão de sintomas indesejados e um mix de emoções e medos.
A secretária executiva Ane Aline Telli (28 anos) descobriu que teria a maternidade interrompida aos 25 anos. "Nos exames de rotina, meu ginecologista percebeu uma alteração hormonal. Ele pediu que eu fizesse alguns exames mais detalhados e parasse de usar o anticoncepcional. Logo que o fiz, deixei de menstruar. Foi quando recebemos a confirmação de que meus ovários haviam parado de fabricar óvulos e de que eu estava entrando na menopausa precoce", relembra Ane.
Causas e sintomas
Talvez você nunca tenha ouvido falar nessa disfunção hormonal, mas estatísticas revelam que a menopausa precoce atinge 3% das mulheres e, como o climatério na idade normal (após os 50 anos), caracteriza-se pela ausência de menstruação por período superior a 12 meses. "Ela é considerada precoce pois a diminuição expressiva da produção de hormônios ovarianos, em especial os estrogênios, ocorre antes dos 40 anos de idade", explica Fábio Roberto Cabar, ginecologista da Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.
Os sintomas são semelhantes aos da menopausa pós-50, mas os abalos emocionais são bem mais intensos. "Eu sentia calafrios, palpitação, calores, suores, falta de desejo, dores na relação sexual, inchaço anormal e perda total da cintura. Mas o pior era lidar com o sentimento de que a temida velhice havia, enfim, chegado", conta Patrícia Garrote, que descobriu aos 40 anos que jamais poderia ser mãe novamente.
A menopausa pode levar a um aumento na incidência de complicações como osteoporose, doenças cardiovasculares (infartos, derrames cerebrais) e doenças degenerativas do sistema nervoso, como Alzheimer. Para Ane, foram outros os problemas que chegaram com a doença: "Eu percebia o aumento de pêlos nos seios e pescoço, minha pele estava mais ressecada e meus cabelos caíam de forma anormal. Foi num exame de rotina que descobri que a menopausa me havia rendido um hipotireoidismo e uma deficiência de cálcio (osteopenia)", revela Ane.
Não há uma causa única para a chegada da menopausa precoce. Muitos são os fatores envolvidos: "Desde alterações do cromossomo X, passando pela galactosemia (deficiência enzimática que gera acúmulo de galactose), doenças infecciosas (caxumba, citomegalovírus, varicela e outras) e autoimunes (lúpus, artrite reumatóide) e tratamentos quimioterápicos ou radioterápicos", exemplifica Fábio. E sabe-se que há um mecanismo hereditário envolvido. Mulheres com histórico de menopausa precoce na família têm mais chances de desenvolvê-la. Foi o que ocorreu com Ane. "Segundo o médico, eu tinha pré-disposição genética visto que minha mãe entrou na menopausa aos 40 anos. Mas ao retirar um dos ovários por conta de uma gravidez tubária, o processo se acelerou", conta a secretária.