Nenhuma mãe coruja irá negar: a maior preocupação da gravidez é com a saúde do bebê. Se antes era preciso esperar o dia do nascimento para ter essa certeza, hoje a tecnologia se aliou à medicina para oferecer uma tranquilidade a mais através do aconselhamento genético. Quando o casal está apenas pensando em encomendar a cegonha já é possível calcular o risco de transmissão de uma doença genética e hereditária durante a gestação ou no momento do parto.
"Através do aconselhamento genético, se um dos parceiros possui alguma doença transmissível, o casal é informado sobre as características dessa doença, suas causas, probabilidade de transmissão e conduta terapêutica apropriada", revela Ester Sabino, especialista em biologia molecular da Diagnósticos da América (DASA). Ainda que possa ser feito em qualquer momento gestacional, os especialistas recomendam que os futuros pais consultem um geneticista o quanto antes. "É ele quem irá esclarecer as dúvidas do casal e desfazer os mitos a respeito do desenvolvimento embrionário e fetal, riscos de anomalias e de enfermidades genéticas. E orientar em relação a condutas para uma vida saudável e de como se pode reduzir as chances de um feto contrair defeitos congênitos", explica o geneticista Júlio César Loguercio Leite.
As doenças genéticas
De 2% a 3% dos recém-nascidos vivos são portadores de uma anomalia congênita dentre as mais de 12 mil síndromes genéticas. "As mais comuns são a Síndrome de Down e a síndrome do X-frágil - que confere desabilidades cognitivas", revela Julio César. Mas nem sempre pais com doenças genéticas terão filhos com a doença. "Tudo dependerá da enfermidade e de seu padrão de herança", afirma o geneticista. "Em alguns casos, o risco será de 25%, em outros, de 50%. Algumas vezes acometerá apenas indivíduos do sexo masculino", exemplifica Ester. Por isso, a importância da realização de um diagnóstico correto e de um aconselhamento genético bem realizado.
Algumas pessoas são mais suscetíveis a desenvolverem doenças genéticas. "Fazem parte desse grupo de risco adolescentes em idade fértil, famílias com histórico de enfermidades de herança genética, mulheres portadoras de enfermidades crônicas ou sob algum tipo de tratamento", afirma Julio César. Gestantes com mais de 35 anos, mulheres que obtiveram resultados anormais de ultrassom fetal, casais com parentesco entre si, que sofreram aborto ou tiveram a perda do neném (sem nenhuma explicação) logo após o parto também fazem parte desse grupo.