Para superar o choque inicial, o apoio do marido (namorado na época) foi fundamental. "Quando entreguei o resultado, ele espantosamente sorriu, me abraçou e disse para eu me acalmar que ele estava comigo e que tudo iria se resolver. Por alguns instantes achei que meu problema tinha se resolvido", pelo menos até Mary ter que contar a "boa nova" ao pai. "A reação eu já esperava. Ele não me dirigiu uma palavra sequer. Soube pelo meu irmão que ele havia dito que eu era burra e que tinha estragado minha vida. Sempre fui o xodó do meu pai e aquelas palavras me magoam demais até hoje", confessa.
A soma de incertezas e o medo da reação do pai acabou levando Mary a pensar em fazer um aborto. "Logo que soube da gravidez, a vontade que tinha de retirar o bebê rondou meus pensamentos. Pesquisei em sites, vi muitas fotografias mas quando toquei no assunto com meu namorado, ele me disse para não fazê-lo. Não é que quisesse realmente tirar o bebê, mas tinha medo da reação dos meus pais", explica Mary. E como se não bastasse ter que enfrentar o conservadorismo do pai, a auxiliar administrativa ainda teve que ultrapassar as dificuldades financeiras de uma gestação não planejada. "Na época, morávamos de aluguel e os gastos para manter a casa não permitiam que sobrasse dinheiro nem para o enxoval. Sorte que minha fada-mãe entrou em ação e tudo que a Samara teve foi ela quem deu", conta Mary.
Susto
A história da pedagoga Juliane Basso, de 24 anos, é muito semelhante às de Nadia e Mary. Aos 23 anos de idade, ela descobriu que estava grávida do seu amigo. "A gente se envolveu no começo do ano e acabou acontecendo. Cheguei a tomar pílula no dia seguinte, mas estou esperando até agora ela fazer efeito", brinca. Ao receber a notícia, Juliane revela que sentiu um misto de sensações. "É desesperador e ao mesmo tempo mágico. A gente sente amor e medo. Era algo totalmente fora dos meus planos. Eu tinha acabado de me formar na faculdade e de repente me vi tendo que assumir um filho, um marido e uma casa", relembra. E, assim como Mary, Juliane teve dificuldades em dar a notícia ao pais. "Eu demorei um pouco para contar porque tinha muito medo da reação deles. Quando meu pai ficou sabendo, a única coisa que falou é que deveríamos nos casar. E minha mãe, apesar de ter me apoiado, ficou um pouco decepcionada e se sentiu traída".
Ela, no entanto, se revela feliz: "Tudo que chorei e passei valeu muito a pena. Minha filha é tudo que tenho de mais lindo na minha vida. Junto com o nascimento de um filho, nasce também uma mãe. Eu nasci de novo. Hoje, enxergo as coisas com outros olhos, me tornei mais calma, mais compreensiva e mais centrada, tudo por causa dela e por ela. Se eu pudesse voltar atrás e mudar o passado, faria tudo de novo, igual", afirma Juliane.
Tania Novinsky Haberkorn, psicóloga do Instituto Mãe Pessoa, conclui: "Não tem jeito, toda gravidez é uma surpresa, mesmo quando a gente está esperando por ela". E, você? Conhece alguém ou já foi pega de surpresa pela cegonha? Então, conte-nos a sua história!