Logo após o casamento, o casal começa a ser cobrado pelo nascimento do bebê, pois só assim considera-se a família constituída e com a possibilidade de ser perpetuada. Ter um filho porém não é tão simples assim, está muito além da concepção, envolve a responsabilidade por sua existência e formação. Mas o que leva um casal a ter um filho: o desejo pela formação da família, a necessidade de atender a uma exigência social ou ainda a tentativa de manter o casamento?
A resposta a estas questões está diretamente relacionada à forma como os pais irão constituir sua relação com a criança, assim como as expectativas lançadas sobre ela antes mesmo do seu nascimento. A chegada do filho, sobretudo o primeiro, implica necessariamente em uma série de mudanças na estrutura e organização da vida do casal. Além de dias agitados e corridos sucedidos de noites mal dormidas, uma nova rotina é estabelecida como, por exemplo, as saídas à noite sem o compromisso de voltar para casa, o cuidado com tudo o que oferece perigo como as tomadas e o fogão. E o mais importante: a afinidade dos pais com relação à educação do pequeno.
Mesmo sendo um filho desejado, nem sempre é fácil adaptar-se à nova rotina. Imagine, então, quando a criança vem atender a qualquer outra demanda. Acontece que o sentimento de responsabilidade sobre a prole é algo que vem de dentro, quase inerente, caminhando junto com o desejo de ter um filho, ou seja, não adianta ninguém te falar ou forçar a tê-lo, simplesmente acontece. E quando esta responsabilidade inerente não aflora, é impossível não haver consequências.
Quantas vezes observamos babás ou avós assumindo o compromisso pela educação das crianças? Pais que depositam na escola a responsabilidade pela transmissão de valores e imposição de limites? Nos perguntamos: e os pais? Os pais continuam seguindo suas vidas quase como antes, pois não conseguiram verdadeiramente internalizar a função de pai e mãe e todas as consequências e desdobramentos desta escolha.
Ter filho é doar-se, sem anular-se. É abrir mão de algumas coisas sem se sentir frustrado, é não deixar de ser quem você é, mas tornar-se melhor. Ter filho subentende escolher ser pai. Pai, na plenitude da palavra. Encarar o desafio de cuidar de uma vida para sempre. Repetir várias e várias vezes a mesma coisa até ser compreendido pela criança. É comprometer-se em ensinar seus valores de vida. É ter a plena consciência de que se está incluindo na sociedade alguém que você ajudou a formar. E isso é muito sério!
Certamente durante o exercício do papel de pai e mãe, dificuldades irão aparecer, deslizes serão cometidos, expectativas e fantasias serão lançadas sobre a criança – o que sugere um outro artigo. Mas tudo isso, de uma certa forma, faz parte do processo de amadurecimento dos pais em sua função. O que, de fato, fará toda diferença para superar os obstáculos e sentir o singular prazer de ver seu filho feliz é a consciente resposta à pergunta: por que quero ter um filho?
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