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Distúrbios de aprendizagem
Conheça sintomas e tratamentos: dislexia, autismo, TDAH, entre outros
Por Luana Martins • 10/06/2009

Num dia você é chamada à escola de seu filho por seu comportamento agressivo e desatento. No outro, percebe uma pequena deficiência na fala e na escrita do pequeno. Sem contar que ele não quer mais ir à escola e, quando o faz, parece apático ao que está sendo ensinado dentro de sala de aula. Talvez o baixinho faça parte dos 20% de crianças brasileiras (segundo dados do Ministério da Educação de 2007) que apresentam algum déficit de aprendizagem.

As dificuldades de aprendizado são resultado de diferentes fatores: problemas financeiros, brigas no ambiente familiar, métodos de ensino ultrapassados, problemas neurológicos, auditivos, visuais e outros. Como identificar e tratar o problema para não impedir a aquisição do conhecimento e garantir o saudável desenvolvimento infantil?

"Os distúrbios e dificuldades de aprendizagem caracterizam-se por alterações significativas na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas e têm sido uma das principais causas da ida de crianças ao psicólogo já que 'não aprender' tem repercussões emocionais e na autoestima da criança", explica a pedagoga e conselheira tutelar Janaína Elias. Nem sempre identificá-los é tarefa fácil: "Geralmente, a dificuldade se apresenta de forma gradativa. Por isso, a atenção de pais e educadores faz-se tão importante", alerta a pedagoga.

Investigando as deficiências

A única maneira de reverter o processo de déficit de aprendizagem é buscar as suas reais causas. São diversos os fatores que influem na aquisição de conhecimento. "Motivos de ordem psicológica, econômica, neurológica, social e até mesmo ambiental interferem de forma sintomática na construção da personalidade do indivíduo, que se dá até os sete anos de idade, podendo influir em seu aprendizado", revela Janaína.

Crianças com dificuldades para fixar conteúdos podem mudar seu comportamento, variando seus sentimentos ao extremo. Podem, por exemplo, tornar-se agressivos ou chorões

Problemas visuais e auditivos, brigas constantes entre familiares, métodos ultrapassados de ensino e, até mesmo, problemas de adaptação escolar podem levar ao desinteresse e às dificuldades de aprendizagem. "Por isso é tão comum a criança sentir dificuldade na troca de escolas e na passagem para o 1º ano e o 5º ano do Ensino Fundamental, quando há uma mudança significativa em toda a metodologia de ensino", explica a especialista.

Para a pedagoga, a massificação do ensino tem contribuído para o aumento de casos de crianças com dificuldades de aprendizado. "Não é que o fato vá trazer ao aluno uma dislexia ou um autismo. Mas certamente trará desmotivação, desinteresse, sentimento de incapacidade", afirma a pedagoga "Existem várias etapas no processo de aprendizagem, mas uma delas é fundamental: a motivação. A questão é como se motivar numa sala sem atrativos, com quase cinqüenta alunos dentro", indaga Janaína.

Ainda que diferentes causas levem a diferentes tipos de dificuldades de aprendizagem, os sintomas podem ser muito semelhantes. "O desinteresse pelos estudos, o isolamento do restante dos alunos, a inibição ou a agitação, o interesse por atividades mais lúdicas, o relaxamento com material didático são as principais manifestações de quem pode estar sofrendo com uma dificuldade em aprender", afirma Janaína que pede aos pais que também fiquem alerta às mudanças comportamentais: "Crianças com dificuldades para fixar conteúdos podem mudar seu comportamento, variando seus sentimentos ao extremo. Podem, por exemplo, tornar-se agressivos ou chorões".

A importância do tratamento

Descobrir e tratar as causas que levam às dificuldades e distúrbios de aprendizado é de extrema importância já que, além da baixa autoestima, a falta de tratamento pode levar a um ciclo vicioso. "A criança sente-se inferiorizada ao ver que seu amiguinho está aprendendo, participando das atividades, sendo elogiado, ganhando notas boas e ela não. Isso cria uma aversão à escola e deixa duas alternativas ao pequeno: ou ele não quer mais ir à escola ou vai para fazer bagunça, comprometendo ainda mais sua concentração e seu desenvolvimento cognitivo", adverte Janaína.

A fisioterapeuta Ana Paula Rodrigues (39 anos) sabe bem o que é isso. Seu filho Vitor (10 anos) sofre de dislexia e ano passado começou a ter problemas na escola. "Uma vez ele chegou em casa dizendo que era 'burro', pois todas as crianças aprendiam menos ele. Foi quando a escola me chamou, pois ele não queria mais fazer as leituras que a professora mandava e estava cometendo muitos erros ao escrever", conta Ana Paula. Ela procurou o apoio de uma psicóloga e de uma fonoaudióloga. "Não tem sido nada fácil, sobretudo, porque meu filho anda desmotivado na escola, mas tenho fé que com força de vontade tudo vai se resolver", afirma Ana Paula.





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