A todo momento somos surpreendidos com cenas de violência, seja através dos jornais com notícias que causam indignação, ou em nosso cotidiano, como no trânsito, por exemplo, que pessoas se agridem, aparentemente, por motivos tolos.
Somos então levados a pensar: de onde vem tanta violência? Começa na infância? O que podemos fazer para evitar tais atitudes?
Há um momento na vida da criança, até os 3 anos de idade, em que é natural condutas de agressividade, como empurrões, tapas e principalmente mordidas. Isso porque a criança está na fase egocêntrica, ou seja, acredita que tudo e todos existem em função dela, portanto, não entende e não aceita ser frustrada. Resultado: morde!
Embora seja natural, cabe ao adulto começar a introduzir as noções de regras de convívio social e ensinar ao pequeno a respeitar o outro. Assim, à medida que a criança cresce e também desenvolve sua capacidade de articular os pensamentos através da fala, descobre outros meios de expressar seus desejos e aprende a "lutar" pelo que quer sem precisar usar a agressão física como recurso.
Porém, muitas vezes observamos que as condutas agressivas persistem com o tempo, tornando-se a forma preferencial da criança e do adolescente para resolver todas as dificuldades. Nesse momento, antes de tomar qualquer atitude, é preciso tentar entender o que leva seu filho a manifestar este comportamento. As possibilidades são as mais variadas: ciúmes dos irmãos; ansiedade, sentimento de rejeição; necessidade de atenção; problemas com os amigos...
Muitas vezes os pais não se dão conta do que se passa com o filho e limitam-se a reprimir sua conduta agressiva, pensando que é o melhor a fazer por sua educação - o que pode complicar e aumentar ainda mais o problema! O melhor caminho para resolver esta situação é observar e escutar a criança. Na maior parte das vezes, tudo o que ela precisa é de atenção, de sentir-se amada e querida. A demonstração de carinho pode ser o suficiente para aplacar seu sofrimento e, conseqüentemente, mudar sua conduta.
Percebemos que a postura da família é fundamental para ajudar a criança não só a elaborar seu sofrimento, como para educá-la a respeitar a si mesmo e aos outros, utilizando recursos diferentes da agressão física para elaborar suas questões. Porém, há casos em que é a própria conduta dos pais que estimula certos comportamentos agressivos nas crianças.
Quem não conhece algum pai, principalmente que tem filho homem, que o ensina a bater e brigar para resolver seus conflitos? A criança é fruto do que lhe é ensinado e os pais são os maiores modelos de referência. Se a criança é legitimada pelo próprio pai a bater, é isso que ela fará, e pior: acreditando que está certa!
É claro que ninguém quer ver seu filho virar um saco de pancada, mas não ser agressivo não é sinônimo de deixar-se bater. Saber defender-se é fundamental, pois é saber dar-se o respeito. Porém, definitivamente, estimular a agressão e atos de violência não é o melhor caminho. Ensinar o filho a usar a agressividade como forma de defender seus ideais é destituí-lo da capacidade de pensar, além de ensiná-lo a desvalorizar e desrespeitar o outro.
A família é a maior responsável pela formação da criança, por isso o cuidado com os valores ensinados é fundamental para a sua constituição. Quando falamos de comportamentos agressivos, entendemos que, na maioria dos casos, são conseqüência de algo que não vai bem com a criança e não um traço de sua personalidade, desta forma, o afeto é o caminho mais tranqüilo e menos doloroso para aliviar seu sofrimento. Portanto, não vale tentar resolver o comportamento agressivo do seu filho sendo agressivo com ele!
Márcia Mattos é psicóloga do Espaço Apprendere