A importância do aleitamento para a mãe
Amamentar não é bom apenas para os bebês, mas também para as mães. Saiba mais!
Por Cláudio Crispi • 31/08/2011

Cada vez mais é ressaltada a importância do aleitamento materno exclusivo, principalmente durante os 6 primeiros meses de vida do recém-nascido, sendo complementado até os 2 anos. Contudo, no Brasil, ainda não conseguimos alcançar índices ideais de mães que amamentam seus filhos exclusivamente. Desta forma, a introdução de alimentação complementar geralmente é muito precoce e inapropriada, se tornando um risco para a saúde do bebê.

Estima-se que menos de 35% das crianças no mundo, sejam amamentadas exclusivamente ao seio materno até, pelo menos, o quarto mês de vida. No Brasil, os índices estão melhorando com o passar dos anos, através de campanhas, como por exemplo, o Hospital Amigo da Criança, e regulação governamental, porém, os índices variam de região para região e ainda estão muito aquém da recomendação da Organização Mundial de Saúde.

Os benefícios para o bebê do aleitamento materno já estão bem definidos e já foram abordados no texto de “leite materno”. A amamentação exclusiva confere menor risco de mortalidade por doenças infecciosas, diarréia e doenças respiratórias, além de diminuir o risco no desenvolvimento de doenças auto-imunes e alergias.

Os benefícios do aleitamento materno não são exclusivos para a saúde do bebê, existem vantagens do aleitamento para a saúde da mãe. Além disso, o leite está sempre pronto e na temperatura correta, não havendo risco no modo de preparo e nem de contaminação.

Uma das primeiras vantagens do aleitamento para a mulher consiste na ajuda da recuperação do tamanho normal do útero após o parto, diminuindo o risco de grandes perdas sanguíneas (hemorragia) no período pós parto. Constitui também um bom método de planejamento familiar, quando o aleitamento for realizado de forma exclusiva nos 6 primeiros meses após o parto, desde que não surja menstruação nesse mesmo período. A falha estimada nessa forma de anticoncepção, chega a valores inferiores a 1,8%.

Durante o último trimestre de gestação a mulher acumula energia sob a forma de gordura (em média 2,3Kg a 3,2Kg), para cobrir os gastos calóricos que ela terá com a amamentação. A mulher que amamenta exclusivamente gasta 704 Kcal/dia, o que ajuda a mãe a voltar mais rápido ao seu peso pré-gestacional, uma vez que ela gasta essas calorias acumuladas de forma gradual durante os primeiros 6 meses. Já a mãe que não amamenta, tende a reter parte do peso adquirido na gestação.

Outro fator importante da amamentação para a saúde da mulher consiste na proteção ao câncer ovariano, câncer de colo uterino e o próprio câncer de mama.

Atualmente, um agravante a amamentação consiste na posição que a mulher vem exercendo e ocupando no mercado de trabalho, muitas vezes assumindo papel de chefe de família. A essas mães temos a responsabilidade de orientá-la quanto aos seus direitos de cidadania, e como manter a amamentação , mesmo exercendo atividades extra lar.

Outras dificuldades ao aleitamento surgem devido a errados conceitos estéticos e por isso, alguns mitos devem ser desfeitos, como a idéia de associar amamentação com a queda dos seios. O que acontece é que nessa fase a mulher apresenta volume mamário em média
6 vezes maior que seu tamanho normal. Pela lei da gravidade, a tendência com o passar dos anos é realmente eles caírem, contudo isso pode ser prolongado, com uso de sutiãs firmes ao longo da vida e dando preferência ao uso de sutiãs com reforço no período da amamentação.

Muitos casos de desmame precoce ocorrem por falta de informação e de estímulo para amamentar. Neste momento, o papel do médico é muito importante, para que todos os temores e inseguranças sejam esclarecidas e a mãe esteja preparada e amparada para enfrentar qualquer dificuldade que surja durante a amamentação. Neste caso, é importante que estas dúvidas sejam esclarecidas desde o pré-natal e que haja apoio para a mãe em todos os momentos.

Cláudio Crispi é ginecologista, coordenador geral da pós-graduação em videoendoscopia ginecológica do Instituto Fernandes Figueira (Fundação Oswaldo Cruz), 2º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Videocirurgia (SOBRACIL), autor do Tratado de Videoendoscopia Ginecológica (Atheneu, 2007) e membro da AAGL (American Association of Gynecologic Laparoscopists)  




Os últimos comentários
         



Oferecido por:


Colunistas



veja mais